A crise financeira começou com Bin Laden IV

Continuando…

16 de setembro foi uma dia de festa para Bin Laden. E de correria para o Fed, que teve de emprestar 85 bilhões de dólares à seguradora AIG. Nem isso impediu o mercado de continuar ladeira abaixo, mas três dias depois, em 19 de setembro, o governo americano anunciou que tomaria medidas de emergência. O esboço de um plano de ajuda falava em centenas de bilhões de dólares. Insuficientes, segundo alguns analistas, mas o bastante para fazer renascer a euforia nas bolsas: a Bovespa teve alta de 9,57%, a maior desde 15 de janeiro de 1999, a Bolsa de Paris cresceu 9,27% e a de Nova York, 3,35%.

O plano foi enviado para o Congresso americano em 20 de setembro, prevendo autonomia para o Tesouro comprar até US$ 700 bilhões em créditos podres de bancos. Na sequência, outros acontecimentos impactantes: os bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley viram bancos comerciais, para ter acesso a empréstimos, em troca de maior fiscalização do Fed.

No Brasil, um sinal de que talvez a crise não passe em brancas nuvens veio em 25 de setembro: o nosso mercado foi surpreendido com o anúncio de que a Sadia e Aracruz tiveram pesados prejuízos no mercado de câmbio. No dia seguinte, as ações dessas empresas caíram 35,48% e 16,81%, respectivamente.

No dia 28 de setembro, democratas e republicanos anunciaram que haviam chegado a um consenso sobre o plano enviado pelo governo americano, incluindo liberação parcelada dos recursos e limitação da distribuição de bônus a executivos. Mas era bom demais para ser verdade. No dia seguinte, ao contrário do que todos esperavam, o plano foi rejeitado na Câmara dos Deputados. 205 votos a favor e 228 votos contra, a maioria de republicanos, isto é, do partido do governo de George Bush. Nem Bin Laden previra isso.

O plano terminou sendo aprovado, após muitas discussões e acordos. As três páginas iniciais viraram mais de duzentas. Nem isso acalmou o mercado, como vimos ainda ontem. E agora a Europa está no meio do fogo cerrado.

Ainda voltaremos ao assunto.