A crise financeira começou com o Bin Laden III

Continuando…

Em junho de 2004, os americanos continuavam a caçar, sem sucesso, Osama Bin Laden. Enquanto isso, naquele mês, os juros voltaram a subir, pois a preocupação do Fed se deslocara para o combate à inflação. Exatamente dois anos depois, em junho de 2006, a taxa atingiu 5,25% ao ano, um patamar que seria mantido até agosto de 2007. Entretanto, quem acompanhou essa subida foi a inadimplência dos mutuários: os financiamentos tinham taxa pós-fixada e as prestações ficaram altas demais.

Os bancos logo acusaram o golpe: reduziram a oferta de crédito em geral, inclusive para os clientes com bom histórico. Resultado: o preço dos imóveis veio abaixo. Como os americanos estavam acostumados a refinanciar suas hipotecas para usar o dinheiro no consumo, a união da falta de crédito com o preço baixo dos imóveis foi sentida como um freio na economia do país, com impactos em todo o mundo.

Em fevereiro de 2007, o primeiro grande sinal de alerta: o HSBC foi o primeiro banco de grande porte a anunciar um prejuízo maior do que esperado. O motivo: aumento da inadimplência. Em abril, o New Century Financial, uma das maiores instituições financeiras americanas envolvidas com hipotecas subprime, pediu concordata e cortou 54% da sua força de trabalho.

Em sua caverna na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, Bin Laden certamente estava esfregando as mãos. Em nosso hemisfério, porém, o Fed começou a reagir. Em 18 de setembro de 2007 começou a reduzir a taxa básica de juros, além de anunciar empréstimos diretos aos bancos de investimento e a aceitação de seguros lastreados em hipotecas como garantia de financiamento. De setembro de 2007 a abril de 2008, foram sete cortes seguidos, reduzindo a taxa dos 5,25% para 2%. O problema era que a crise já estava instalada: bancos e instituições de créditos começaram a desabar como as torres do WTC.

Northern Rock (nacionalizado pelo Banco da Inglaterra), Bear Stearns (adquirido pelo JPMorgan Chase, IndyMac (em intervenção), Fannie Mae e Freddie Mac (nacionalizados pelo tesouro americano) e outras instituições foram ficando pelo caminho. Finalmente, em 15 de setembro o Lehman Brothers pede concordata. No mesmo dia, o Merrill Lynch é vendido para o Bank of America. E as bolsas de todo o mundo despencam.

Continua…