Acordo de Leniência e Espionagem na Internet

0
2


Dois episódios de extrema importância ética estão na mídia e em breve serão banalizados como todo comportamento antiético acaba sendo. Hoje, nos importamos muito pouco com a fome, com a miséria, com os homicídios e assim por diante. Há tantas outras coisas mais “modernas” para se preocupar que os assuntos velhos e não resolvidos ficam para outra oportunidade.

O primeiro deles é a denúncia feita por Edward Snowden, ex-consultor dos serviços secretos norte-americanos, sobre a existência do programa (Prism) que permite aos serviços de segurança dos Estados Unidos monitorarem telefonemas e e-mails de milhares de cidadãos – americanos e estrangeiros – a pretexto de combater o terrorismo e garantir a segurança nacional.  Os servidores da Agência Nacional de Segurança dos EUA  tem acesso aos servidores de uma série de empresas privadas operadoras de redes de comunicações, de telefonia e internet, incluindo Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, Skype, Apple entre outras.

O segundo episódio é o Acordo de Leniência firmado pela Siemens com o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica e Ministério Público – sobre a participação da empresa e de outras em esquemas de cartel e corrupção em obras do governo. Lembrando aqui que a origem da palavra leniência, vem do latim Lenis que quer dizer: suave, doce, agradável, brando.

No primeiro caso temos a flexibilização dos princípios éticos em nome de alguma coisa, ou seja, posso até “fazer o mal” em nome de um “pseudo bem“.  Alguém está lendo meus e-mails e ouvindo meus telefonemas com o pretexto de combater o terrorismo e garantir a segurança nacional dos Estados Unidos. Seria a mesma coisa se a sua empresa começasse a ouvir seus telefonemas e monitorar seus e-mails em nome de uma possível espionagem.

Em nome da “criação de uma raça pura” o nazismo matou mais de 7 milhões de judeus. Em nome do “combate a heresia”  a inquisição matou milhões de pessoas durante todo o medievo, e assim os crimes contra a humanidade seguem em nome de algo que, definitivamente, não é ético. Já que estamos sendo monitorados e, tanto o Brasil  como os outros países não estão fazendo nada em relação a isso (banalização), então vamos todos começar a colocar textos sobre terrorismo, sobre a mãe do Obama, sobre qualquer coisa que ofenda e assuste literalmente os que nos ouvem e leem de forma escondida. Pelo menos vamos deixá-los confusos.

No segundo caso temos uma situação do tipo “bate e assopra“, ou seja, participo de uma quadrilha que rouba o dinheiro público e depois delato meus comparsas para  ter uma pena branda e suave. Na verdade, ao agir dessa forma tenho convicção de que o crime compensa e quando ele não compensa mais, mudo de lado na maior cara de pau do mundo. O mais engraçado de tudo isso é entrar no site da Siemens e verificar os seu valores:  “A mais alta performance combinada com os mais elevados padrões éticos.”

Eu teria vergonha de trabalhar numa empresa como essa. Como a ética está banalizada aqui também, as pessoas se acostumam e continuam a trabalhar e consumir produtos dessa empresa. Se eu pudesse os expulsaria do Brasil.