Adeus Ano Velho – Um breve balanço de 2007

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O ano de 2007 vai deixar saudades para os amantes da leitura. Alguns fatos muito positivos e animadores. Outros, nem tanto. Mas foi um ano marcado por paradoxos como o crescimento do número de leitores e a baixa produção dos autores nacionais. Ou ainda, o fenômeno de vendas dos lançamentos de fim de ano  contra a “volta” da censura. Será?


Para começo de conversa, os números do mercado literário brasileiro foram surpreendentes. Especialmente em um país com quase 2,5 milhões de analfabetos entre 10 e 30 anos, uma faixa etária onde a leitura seria natural. No Brasil, registramos um crescimento de 15% nas vendas de livros, gerando um aumento de cerca de 12% no faturamento total. Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), esses números representam um montante de quase R$ 3 bilhões. Um mercado em expansão, principalmente entre as crianças e os adolescentes.


Um destaque muito positivo foi o crescimento de 20% nas vendas de livros pela Internet nos últimos dois anos. Atualmente, o principal produto vendido pelo e-commerce é o bom e velho livro. Segundo a pesquisa Nielsen/NetRatings realizada em 48 países no decorrer do ano passado, 41% dos 875 milhões de internautas do planeta compram mais livros do qualquer outro produto de consumo. Nada de música, videogames ou pornogafia.


Vale citar a honrosa presença do Brasil no seleto grupo dos top ten em vendas de livros pela rede.  O primeiro lugar neste ranking é a Coréia do Sul, seguida da Alemanha, Áustria e Vietnã. O Brasil destaca-se em quinto lugar, à frente de Índia e China, dois companheiros do BRIC (grupo de quatro países emergentes, do qual também faz parte a Rússia). Em 2007, cerca de 51% de todos os livros vendidos em nosso país foram adquiridos através da Internet.   


Ainda no universo virtual, em 2007 o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) teve a maioria dos pedidos de livros para as escolas públicas realizados pela Internet. Do total de 63.777 escolas de 5ª a 8ª série, 58% dos pedidos foram realizados pelo site do programa. Mais de 37.000 escolas utilizaram a Internet para escolher os 128 milhões de livros didáticos distribuídos pelo programa. Infelizmente tivemos notícias de suspeitas de fraudes e falhas no processo. Mas vamos olhar para a “metade do copo cheio”. Esse é um resultado claro da inclusão digital chegando nas escolas de uma forma prática e muito útil.


Falando em resultados, os títulos campeões de vendas em 2007 não chegaram a ser surpresas, mas alguns destacaram-se pelo alto volume de vendas em muito pouco tempo. Segundo o ranking anual da Revista VEJA (publicado em 09/01/08), “Harry Potter e as Relíquias da Morte” de J.K. Rowling foi o campeão absoluto na categoria Ficção, apesar de ter sido lançado em Novembro do mesmo ano. Destaque ainda para o afegão Khaled Hosseini, com “O Caçador de Pipas” e “A Cidade do Sol”, respectivamente segundo e terceiro lugar nesta categoria. 


Na categoria Não-Ficção, o destaque ficou com o bicampeão “Marley & Eu”, John Grogan, seguido de “1808” de Laurentino Gomes, e “Código da Vida” de Saulo Ramos. O livro mais vendido na categoria Auto-Ajuda e Esoterismo foi também o campeão geral em vendas no Brasil: “O Segredo” de Rhonda Byrne, com mais de 1 milhão de exemplares comercializados em 2007. Em segundo lugar ficou “O Monge e o Executivo” do simpático James Hunter, e em terceiro “A Lei da Atração” de Michael J. Losier.


Gostaria de citar ainda alguns fenômenos editoriais que impressionaram pela longevidade nas diversas listas de mais vendidos, como “O Código Da Vinci”, “O Livreiro de Cabul” e “Transformando Suor em Ouro”. Em todas as categorias e para todos os gostos.


Particularmente, fiquei um pouco decepcionado com a “vitória” do Rei ao retirar de circulação a sua biografia não-autorizada “Roberto Carlos em Detalhes”. Não tenho uma opinião formada sobre a alegada invasão de privacidade pois não tive a oportunidade de ler o livro em questão. E não vou entrar no mérito da justiça mas confesso-me preocupado com um precedente perigoso para uma democracia tão jovem quanto a nossa.


E nos extremos de 2007, milhares de fãs choraram a perda de Sidney Sheldon aos 89 anos de idade, enquanto o mundo celebrou a genialidade dos 80 anos de Gabriel Gárcia Márquez e os cinquenta anos da primeira edição de “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa.


Mas 2008 promete, pode escrever. No ano do centenário da morte de Machado de Assis, e em que se comemora os 200 anos da indústria do livro no Brasil, teremos o lançamento da Bienal Criança, em paralelo com a Bienal do Livro. Esse é um sinal claro de um futuro promissor para os jovens leitores de qualquer idade. Vale a pena virar a página e pagar pra ver.


Um grande abraço,


Marco Barcellos

Atual Diretor Sênior para América Latina pela TALKDESK. Fundador da agência Market 21, atuou em empresas como Cisco, Avaya, AES Eletronet, Nortel, Bay Networks e Wellfleet, além do grupo Algar. Mestre em Administração pela FGV-SP, além de graduado em Engenharia Eletrônica, com pós-graduação em Administração de Marketing e em Gestão Estratégica de RH. Atuou também como professor de Marketing Internacional na UNIP.

1 COMMENT

  1. Marco, Que surpresa te encontrar aqui. Já consulto o site Cliente SA, também recebo o news, mas vou salvar seu blog nos Meus Preferidos. Como “devoradora” de livros e no momento “fazedora” de livros também, vou passar a consultar suas dicas. Um movimento muito legal é o http://www.livroerrante.blogspot.com . Sucesso!

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