Ainda é grande a resistência a pesquisas online no Brasil



(Coluna do Luiz Alberto Marinho, no Blue Bus)

 

Hoje, nos EUA, a esmagadora maioria das pesquisas quantitativas é feita via internet. No Reino Unido, esse percentual anda na casa dos 70%. Enquanto isso, aqui no Brasil, apenas 5% dos estudos realizados no ano passado pela Ipsos, uma das principais empresas de pesquisas do país, coletaram dados pela web. Na opiniao de Jorge Kodja, diretor da Ipsos Brasil, isso acontece simplesmente por desconhecimento da parte de quem decide a contrataçao de pesquisas.

Entre os mitos que atravancam os estudos online destaca-se o medo de que esta metodologia nao alcance consumidores de menor poder aquisitivo, em funçao da ainda baixa penetraçao da internet nas residências das classes C, D e E. Kodja rebate o argumento explicando que a Ipsos já tem um painel com mais de 1,3 milhao de cadastrados, de todas as classes sociais. Quando precisa fazer um estudo online, o instituto recorre a essas pessoas, o que torna o trabalho mais rápido e cerca de 20% mais barato do que uma pesquisa offline. Outra vantagem é o maior alcance aos consumidores, já que a insegurança das grande cidades dificulta cada vez mais o acesso dos pesquisadores a prédios e condomínios de alta renda e também a comunidades carentes controladas por criminosos.


Para comprovar a eficiência dos levantamentos feitos pela web, a Ipsos dos EUA comparou os resultados de 56 testes de conceito feitos simultaneamente pela internet e face a face. Em 71% dos casos, os resultados foram os mesmos e nos demais nao houve variaçao significativa, que invalidasse o estudo. Mesmo assim, por causa da resistência dos executivos brasileiros, Kodja acredita que, na melhor das hipóteses, conseguirá executar 10% dos seus estudos quantitativos por meio da internet em 2009.