Inserção do idoso ao mercado de trabalho: velho é o preconceito do Brasil

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Inicio o artigo com a seguinte frase “É tão bom sonhar e não apenas quando dormimos. Sente-se velho aquele que desiste de seus sonhos e se entrega simplesmente ao sono, você é idoso quando ainda aprende e velho quando já nem ensina”  (Jorge R. do Nascimento)
Estava refletindo em qual tema me dedicar a este artigo para que o leitor se motivasse a ler até o final. À noite, assistindo televisão em minha casa, me deparei com uma entrevista sobre a quebra de paradigma que muitas empresas estão realizando por meio de programas de incentivo a inserção da melhor idade ao mercado de trabalho. Isto me chamou a atenção, pois acredito que todos conheçam profissionais altamente qualificados que sofrem ou já sofreram com isto.
Conheço jovens de vinte e poucos anos que são velhos por não terem energia vital para superar os desafios que a vida nos impõe, assim como conheço pessoas acima de sessenta anos que possuem uma energia de vida irradiante. Acredito que um ser sente-se valorizado e pertencente quando está inserido e feliz com seu trabalho, emanando felicidade onde quer que passe.
A população idosa vem crescendo no país devido ao aumento da expectativa de vida, por isto, é necessário que as empresas cumpram o seu papel social, partindo do princípio da promoção e criação da inserção da terceira idade no mercado de trabalho. Assim como existe o programa Jovem Aprendiz, acredito que os empresários possam criar sanções de incentivo a inclusão juntamente com cursos de capacitação para renovação dos conhecimentos, onde as companhias contarão com a mão de obra dos profissionais acima de sessenta anos ainda mais qualificados e realizados. E profissionais nesse perfil exalam sua satisfação aos clientes internos, ou seja, aos parceiros da empresa e também aos clientes externos, que por sua vez, tendem a aproximar-se daquele ser humano tão realizado.
Desde 1988, o Brasil criou normas em combate à discriminação no âmbito trabalhista através da Constituição da República Federativa, mesmo assim, o país lidera as estatísticas de discriminação trabalhista. Isto é reforçado quando tomo conhecimento de que as empresas que mais aderem à contratação da terceira idade são multinacionais, onde a cultura é valorizar os mais experientes e maduros. As empresas brasileiras infelizmente ainda não se apropriaram da importância na contratação de profissionais na terceira idade, sendo esta revolução e evolução extremamente benéfica na atualidade. Muitos me dirão: E os conflitos da geração X e Y? E eu direi que todo ser humano é adaptativo e as relações humanas são intrínsecas a nós, seres pensantes, portanto, acredito que esta fusão de geração seja saudável para a companhia, já que os colaboradores aprenderão a lidar com todas as faixas etárias de uma forma agradável, respeitosa e empática.
Outro dia, fui a uma renomada pizzaria americana e lá estava uma senhora, simpática e prestativa pronta para me atender, ou melhor, me acolher de uma forma tão sincera e especial que nunca mais me esqueci e, quando posso, retorno aquele local na expectativa de ser atendida por ela. Sempre cito este exemplo às pessoas que se motivam a irem à pizzaria para sentirem-se acolhidas e bem atendidas. O marketing mais primitivo, o boca a boca, ainda é o mais positivo.
Sei que a inclusão de pessoas idosas no mercado de trabalho também significa alterar e modificar a cultura e atividade econômica das empresas, obrigando-as a planejar novamente seus custos, mas a idade não pode ser vista como um obstáculo, pois o idoso tem muito a oferecer às empresas com a sua experiência e conhecimento, além de que os inserir no mercado ajuda a desenvolver a economia do país.
Torço para que as empresas despertem e promovam programas para a contratação dos idosos e que, com o passar dos anos, este pré-conceito seja banido e modificado na Brasil, pois estamos ricos de profissionais acima de sessenta anos com sede de labor.