Nas águas de março…

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O último mês de março levou consigo muito mais do que o verão de 2008… No dia 18, o mundo perdeu um dos maiores gênios da literatura de ficção centífica da história. Um verdadeiro visionário, no sentido mais amplo da palavra. O cientista e escritor Arthur C. Clarke nos deixou aos 90 anos de idade de insuficiência respiratória.

Sir Arthur C. Clarke foi um grande estudioso e atuou como pesquisador, cientista, produtor de cinema e TV, fotógrafo e mergulhador. Mas sempre disse que gostaria de ser lembrado como escritor. Escreveu mais de uma centena de livros, entre eles o famoso “2001: Uma Odisséia no Espaço” (1964), imortalizado no filme com o mesmo nome de Stanley Kubrick.


Algumas pessoas não sabem mas esse livro teve sequência com “2010: Uma Odisséia no Espaço 2” (que deu origem ao filme “2010: O Ano em que Faremos Contato”), além da continuação da saga com “2061: Uma Odisséia no Espaço 3” e o último da série “3001: A Odisséia Final”. Um outro destaque de sua obra é “A Sentinela” (1984).


Apesar da forte atuação como escritor, considerava a sua mais importante contribuição a humanidade o artigo científico em que projetava os satélites geoestacionários. Foi convencido por seu advogado a não registrar a patente de sua idéia. Mas a história tratou de reparar o equívoco e a faixa que os satélites gravitam recebeu o nome de “Órbita Clarke” em sua homenagem. Porém, esta tecnologia foi desenvolvida mais de 25 anos após o seu premiado artigo.


Além dos satélites, Arthur C. Clarke previu o aparecimento da inteligência artificial em seu livro mais famoso, na figura do supercomputador HAL 9000, um dos personagens principais da trama. Imaginava a chegada do homem na lua perto do ano 2000. Errou no timing, mas trabalhou para a NASA na conclusão deste projeto. Desenhou o projeto do módulo lunar e imaginou um elevador especial que ligaria a Terra aos satélites geoestacionários. Além da “Órbita Clarke”, seu nome batizou ainda o asteróide 4923 e uma espécie de dinossauro descoberto na Austrália – “Serendipaceratops Arthurclarkei”.


Vítima de poliomelite na década de 60, lutava contra a doença em uma cadeira de rodas, de onde escreveu as suas maiores obras. Amava a vida e seus mergulhos no Sri Lanka, antiga colônia inglesa onde foi morar no final dos anos 50. Ele se considerava 80% operacional na água, contra 10% fora dela.


Algumas de suas previsões futurístas foram reunidas em 1962 no livro “Perfis do Futuro” onde descrevia, entre outras coisas, um enorme “Biblioteca global” por volta de 2005 (seria a Internet?) e a existência de um presidente comum em todo o planeta por volta de 2010. Mas uma de suas maiores obsessões era a busca de vida em outros planetas. Certeza que ele defendia com argumentos físicos, estatísticos e lógicos.


Pois bem, coincidência ou não, na mesma semana em que Arthur C. Clarke nos deixou, cientistas confirmaram que foi encontrada pela primeira vez uma molécula orgânica fora do sistema solar. Com a ajuda do Telescópio Hubble, eles localizaram uma assinatura química do metano em um planeta há mais de 63 anos-luz de distância da Terra. Coincidência? Ou teria ido Arthur C. Clarke viver uma nova Odisséia no Espaço?


Como dizia um outro gênio (este musical), o maestro Tom Jobim, “são as águas de março fechando o verão, e a promessa de vida em nossos corações”.


Vida longa, Sir Clarke !


Marco Barcellos