Super-Heróis

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Hoje em dia as crianças não precisam usar a imaginação como antes se
usava. Tudo vem pronto. Não é um problema delas. É um problema nosso.

Mesmo os adultos com mais de quarenta, todos querem tudo já pronto.
Não sei em que ponto de nossas vidas nós mudamos, pois não tivemos este
tipo de infância.

A minha foi marcada por super-heróis. Eles saiam das revistas em
quadrinhos pela minha imaginação. Depois de ler o Homem-Aranha eu saia
pulando e soltando teias imaginárias de uma ponta outra que na minha
cabeça eram os topos de edifícios.

Eu fechava os olhos para lutar como o cego Demolidor, imaginava uma
luz no peito e força saindo das palmas de minhas mãos como o Homem de
Ferro e com qualquer coisa que parecesse um revolver e a Susy (minha
cadela vira lata) entrava em florestas como o Fantasma e seu lobo
Capeto.

Roubava o martelo de madeira da cozinha e me transformava em Thor,
almofadas viravam o escudo do Capitão América e qualquer pedaço de pano a
capa do Batman e voava como o Super-Homem e nadava como o Namor e eu
era super.

Hoje tudo isso vem pronto. Fantasias, brinquedos e cinema, tudo pronto. Nem ler precisa.

Nós como humanos precisamos destas duas coisas superimportantes: Imaginação e heróis.

Sem imaginação não se cria nada de novo, não se corrige nada de
velho, não se enxerga as infinitas possibilidades que a vida provém, não
se ensina, não se aprende, não se transforma.

Sem heróis, quando nos perdemos da origem, não encontramos caminhos
de volta. Meus heróis hoje são outros, claro. Meu pai, português e
pobre, que trabalhou e estudou muito e se aposentou como CEO de
multinacionais suecas e austríacas. Minha esposa, que aguenta uma
pressão absurda no mundo corporativo e ainda assim mãe em tempo
integral. Minha mãe e meus amigos padres coptas de São Paulo que, por
onde passam,com simplicidade absurda, tudo e a todos abençoam.

Pessoas modelo, como meu irmão, e sempre penso que, se eu e o resto
do povo brasileiro fôssemos íntegros como ele não estaríamos nesta
situação.

Pessoas como dona Rafaela, Monica e Eduardo T. que oram e trabalham
incansavelmente para um mundo com mais luz e menos sofrimento.

Penso também neste povo. Meu povo. Brasileiros que trabalham, sofrem e
aguentam como heróis. Às vezes, no ônibus, na rua, no uber ou nas redes
sociais, vejo uma pessoa destas. Rosto marcado, moreno, com olhos
infinitos e mãos que se juntam.

Logo imagino eles de capa, uniforme, armas, escudos e superpoderes
lutando pelos necessitados e buscando a justiça. Que heróis que são.

Quero também ser herói para meus filhos e, para caso eu não consiga,
ensino eles a seguir aquele que há dois mil anos enfrentou o mundo
sozinho, que possuía todo o poder do universo e a este renunciou para ser
simplesmente um homem perfeito.

Engenheiro mecânico, pós-graduado em marketing pela ESPM, com mais de 25 anos de experiência em marketing e comunicação. Sócio da consultoria de desenvolvimento pessoal "Ser O Quê" e da agência LinkLab Comunicação, atende a clientes como Itaú, Febraban, Cisco, Latam, Grupo Caôa, EMC2 e CA Technologies.

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