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Toda unanimidade é burra!

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Na sua primeira reunião como gerente, Pedro só conseguiu
convencer 2 dos seus 10 colaboradores sobre uma ideia inovadora para sua área.
Saiu  da reunião um pouco abalado e
pensando: “Como posso ser um líder se meu pessoal não apoia minhas ideias?“. A
resposta mais conveniente que ele encontrou foi por que era novo no cargo e não
tinha muita experiência como líder.

Resolveu investir em um curso de liderança. Aos poucos viu
que já havia mais colaboradores apoiando suas ideias. Seguindo no seu
desenvolvimento pessoal, resolveu fazer um curso de negociação, depois de líder
motivador, em seguinda gestão persuasiva, e assim por diante.

Passo a passo foi conseguindo quase unanimidade nas suas
reuniões, embora os resultados finais de seus projetos não estivessem muito bons.
 Apenas uma pessoa não concordava ainda
com suas ideias. Cansado de investir em cursos para melhorar a forma de
persuadir liderados, resolveu demitir o resistente. Afinal, Pedro já era um
líder muito experiente, ou seja, já havia passado um ano desde sua promoção
para gerente, e todos de sua equipe já concordavam com suas ideias. Ficar com um
resistente era perda de tempo. Precisava que seus projetos tivessem resultados
melhores.

Quando João estava deixando a empresa encontrou com Pedro no
estacionamento e este lhe perguntou: “Não era mais fácil você concordar como
todos estava fazendo?

João respondeu: numa reunião onde 10 pessoas têm a mesma
opinião, 9 são desnecessárias. Não acha?

(Qualquer
semelhança dessa história com fatos reais da sua organização, é mera
coincidência!)

Há um paradoxo nas organizações em relação à diversidade.
Enquanto busca unanimidade e harmonia no grupo, por outro lado ela inovações sustentadoras
e disruptivas para oxigenar processos.  Quer pessoas criativas, só que  pensando da mesma maneira.

“A unanimidade é burra”,  já dizia Nelson Rodrigues.

Precisamos da diversidade e da liberdade o tempo todo para
construirmos organizações singulares e contributivas. Precisamos também da arte
do consenso e do desapego. É nesse ponto que os líderes devem trabalhar com suas
equipes.  Em uma reunião, finalizada a
fase de argumentação, entramos na fase de definições. Nesse momento haverá pessoas
que concordam com o projeto e pessoas que não concordam.  Não se deve gastar energia buscando
unanimidade. Deve-se mostrar que, em um grupo maduro, as pessoas podem não concordar,
mas quando for decidido ir em frente com o projeto, essas pessoas devem apoiar
a decisão do grupo. “Não concordo, mas apoio”. É isso que o líder deve buscar e
estimular no trabalho colaborativo e não ir atrás de melhorar sua técnica de
persuasão.

Você deve pensar: “Será que quem não concorda apoia mesmo?
Boa pergunta! A resposta é: inicialmente não. É aí que a energia do líder deve
ser investida. Ele tem que monitorar o comportamento dos resistentes ajudando-os
a entender o “para quê” o projeto está sendo realizado e “por quê” é fundamental
o apoio de todos.

Na avaliação final do projeto, é comum que os resistentes
tenham mudado de lado mesmo que o projeto não tenha sido um sucesso. É óbvio
que terá a turma do “Eu não disse?”  Mesmo assim terá valido a pena a experiência e
com o tempo e melhoria de repertório a flexibilidade do grupo será mais
visível.

Se seu “chefe” quer a unanimidade, não mude o seu jeito de
pensar… mude de “chefe”
!

0 comentário em “Toda unanimidade é burra!”

  1. fernandobenedito@terra.com.br'
    Fernando Benedito

    Excelente texto Francisco, me fez repensar alguns episódios e ficar mais atento em como conduzirei as decisões com meus liderados! Grande abraço

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