O Mercado Maduro Quer Fazer Parte das Estratégias de Marketing!

0
3

 

 

 

Existe uma parcela da
população que não é mais economicamente ativa, mas tem tempo e poder de compra.
Este grupo tem mais de 55 anos, navega as ondas do “oceano prateado” e não faz
parte das estratégias de marketing de muitas empresas.

Nos Estados Unidos cerca de
70% da receita disponível (Bloomberg) está nas mãos do público com mais de 50
anos. No Brasil, o grupo movimenta algo como R$ 1,8 trilhões por ano, quase 42%
da movimentação financeira, de acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva e da
Bradesco Seguros. Não é pouco para uma galera vista como o grupo dos “idosos,
solitários, doentes, atrapalhados com tecnologia, vulneráveis, sedentários ou vovós
fofinhas que gostam de ficar em casa”, apenas para citar alguns estereótipos.

O público maduro se ressente por
não estar convenientemente representado nas estratégias de marketing, e mais
ainda, por não ter produtos disponíveis que lhes atraiam, qualquer coisa que
saia do padrão bege/marrom/cinza, ou que remeta a medicamentos, planos de
saúde, seguros e previdência privada.  De
acordo como o IBGE, esta população só cresce e em 2030 será maior do que o
número de adolescentes no país, em função da queda de natalidade e aumento da
expectativa de vida. Estamos falando de um universo de 30 milhões de pessoas,
se considerarmos apenas a população acima de 60 anos. 

Não dá para reclamar da falta
de consumidores; eles existem, mas não são percebidos como estratégicos. É o
que indica a Pesquisa de doutorado da coordenadora do curso de Publicidade e
Propaganda da Universidade Positivo, Christiane Machado, que analisou os 10
maiores anunciantes do país, que representam mais de 200 marcas, e constatou
que os idosos aparecem em menos de 3% das propagandas. Ora, nenhum mercado
pode ignorar uma população que até a década de 80 vivia em média 62 anos e que
agora vive com boa saúde até os 76. Eles não fazem parte das pesquisas que
normalmente ouvem apenas consumidores de 18 a 55 anos.

Este público tem uma vida
ativa e muitos planos, conforme dados coletados em mais de 2000 entrevistas
feitas em 2018 pelo Instituto Locomotiva: 52% querem viajar mais, 40% querem trabalhar
e guardar dinheiro, 38% querem empreender, 24% querem mudar de casa e 23%
querem ampliar seus estudos – até parecem universitários recém-formados discutindo
planos para a vida! Aliás, ser chamados de idosos é tudo o que eles não querem,
eles também não gostam do rótulo, por ser recheado de atributos que não lhes
representam mais. Esta pesquisa concluiu também que 92% dos entrevistados dizem ter orgulho das realizações e conquistas que
tiveram ao longo da vida.

Mas no que este público está
interessado? Quais são seus objetos de consumo? Lazer, turismo, serviços
financeiros ágeis e práticos, tecnologia – através de produtos ou aplicativos fáceis
de serem utilizados, conforto e conveniência –
preferem ser atendidos em casa, não querem produtos com embalagens difíceis
de serem abertas ou rótulos ilegíveis e querem encontrar seus produtos sem
precisar fazer acrobacias nos corredores dos supermercados; querem qualidade – mais
do que preços em muitos casos, entregas personalizadas, suporte adequado – leia-se
“alguém que fale sua língua”, produtos que facilitem sua vida e principalmente
segurança em seus processos de compra (72% já fez pelo menos uma compra
online).  Eles viajam muito, frequentam
restaurantes, bares, cinemas, compram roupas e tem uma grande e ativa rede
social.

Faltam estratégias de
marketing voltadas para a galera do oceano prateado. Pode ser que isto aconteça
porque o mercado publicitário, com muitos jovens em seus quadros, ache mais
conveniente criar produtos apenas para seus pares e acaba não se comunicando adequadamente
com este consumidor. Ou porque não faça questão de estar conectado a um público
que ainda é visto com muitos estereótipos, afinal a publicidade quer ser a porta
voz das tendências, do ousado, do que vai bombar no próximo verão e do que é
sexy. Será que a questão da longevidade não é “cool” o suficiente?  

O fato é que existem muitas demandas
para um novo mercado, que já nasce maduro, sabendo o que quer e pronto para consumir
– faltam produtos. As empresas precisam mudar o olhar para vender mais.

 

 Gladis

 

Profissional de marketing e comunicação e fundadora do Grupo Mulheres de Negócios. Atuou em empresas de TI como Scopus, Sun Microsystems e PTC. É formada em Letras, com Pós-Graduação em Jornalismo, Comunicação Social e Negócios. Autora do livro "O Homem que Entendia as Mulheres", publicado pela AllPrint Editora (2005).

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorEngajamento que gera satisfação
Próximo artigoA tecnologia e o capital humano