Callcenter: o gigante empregador

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Autora: Elisangela Carlotti


Em nenhuma outra época tanta gente conseguiu trabalho com carteira assinada no Brasil. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão governamental responsável pela elaboração de estudos, pesquisas, projetos e programas ligados ao mercado de trabalho, no final do primeiro trimestre de 2008 foram criados mais de 554 mil empregos com carteira assinada (sob o regime da CLT), um recorde histórico.

 

Se compararmos este número com o mesmo período do ano passado, o crescimento de empregos formais foi de 38,7%, no qual a região Sudeste registrou o maior índice, com mais de 365 mil postos de trabalho. Segundo informou o próprio Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a expectativa para 2008 é bater um novo recorde, chegando a 1,8 milhão de novos postos, um número bem respeitável.

 

Mas mesmo com tantos dados positivos, os jovens que procuram o primeiro emprego ainda encontram obstáculos quase instransponíveis como a falta de experiência e de qualificação para alcançar o espaço profissional. Mas estes jovens com pouca experiência e muita vontade de vencer encontraram no setor de telesserviços a oportunidade de fazer parte não só das estatísticas, mas também da própria sociedade.

 

Conforme a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), o setor de telemarketing é um dos que mais emprega no País e é apontado, juntamente com o comércio, como a principal porta de entrada de jovens sem experiência profissional para um emprego estável. Os callcenters já possuem seis vezes mais funcionários que a indústria automobilística e a previsão é que o número de carteiras assinadas, no telemarketing, atinja a casa do um milhão em 2010.

 

Este mercado começou a ganhar fôlego na década de 90, impulsionado por três fatores: a criação do Código de Defesa do Consumidor, que impôs a criação de SACs (Serviço de Atendimento ao Consumidor) em todas as empresas; a abertura da economia, que trouxe a informatização para o País; e finalmente a privatização das empresas de telefonia, em 1998, que barateou o custo das linhas e levou o serviço à maioria dos brasileiros. Todas essas mudanças fizeram o sucesso do callcenter, que cresce dois dígitos ao ano, mas que – por outro lado – precisa cada dia mais de pessoas que tenham noções de informática para a função de atendente.

 

A CSU CardSystem, processadoras de meios eletrônicos de pagamento e que tem em uma de suas unidades uma operação de telesserviços, por exemplo, criou o Instituto CSU, projeto social sem fins lucrativos, que tem como objetivo qualificar pessoas por meio da inclusão digital. A instituição abriga tanto jovens quanto adultos que estejam desempregados, oferecendo cursos de informática e palestras de orientação profissional gratuitamente. Para ampliar essa visão, a empresa criou o projeto “Crescendo com você”, que dá oportunidade aos alunos de participarem dos processos seletivos da área de atendimento. É uma forma de gerar, simultaneamente, qualificação e oportunidade.

 

Em 2007, as empresas especializadas em telesserviços registraram mais de 750 mil novos postos de trabalho de acordo com a ABT. Neste ano, as estimativas também são bem positivas. O que podemos esperar então deste gigante empregador? Que a cada dia mais e mais pessoas consigam o tão sonhado (primeiro ou novo) emprego com carteira assinada e contribuam para tornar nossa sociedade mais justa e promissora.


Elisangela Carlotti é coordenadora do Instituto CSU.