Cicatrizes no coração

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José Teofilo Neto


No decorrer de nossas vidas passamos por bons e maus momentos, conhecemos pessoas brilhantes e pessoas desprezíveis. Viver é assim. Às vezes não podemos fazer escolhas. Será isso o que chamam de destino?

Como educador de profissionais, tenho ouvido coisas que me põem em alerta e me fazem meditar. Como você, jovem supervisor ou gerente anda escrevendo sua história?

Quando em sala de aula pergunto sobre quem se lembra de sua primeira professora, a maioria se manifesta geralmente com um largo sorriso e brilho nos olhos. Alguns depoimentos espontâneos chegam a emocionar, tamanha é a carga de carinho fazendo todos vibrar. São pessoas que carregam consigo há pelo menos vinte anos tal recordação e certamente falarão aos filhos, que poderão dizer aos netos. Por baixo, durante cerca de 60 anos o nome daquela primeira professora será lembrado, sempre com carinho, bons fluidos e como um exemplo a ser seguido.

E daqui a 60 anos o que estarão falando de você, jovem supervisor ou gerente?

É grande a quantidade dos que não têm boa recordação do primeiro chefe. Já imaginou carregar nas costas por todos estes anos coisas negativas que estarão sendo relembradas a seu respeito, em rodinhas de botequim, nos escritórios, nas salas das casas? Ficaram cicatrizes no coração.

O nosso modelo de formação de gestores induz à ênfase na descoberta de erros cometidos por subordinados, num processo que leva sempre à desconfiança, à punição. São mais “justiceiros” que formadores de novos bons profissionais. Tudo tem que ser pesado, medido, comparado e a isto chamam “agir com isenção, com justiça”. Desconfio que esta informatização do trabalho esteja gerando pessoas que só enxergam o certo ou o errado. Não há meio termo. É como se tivesse digitado uma tecla errado.

Tenho pregado a jovens gerentes que se deve agir com justiça na maioria das vezes; porém a seu livre arbítrio, devem muitas vezes questionarem-se e agir com generosidade. Bingo! A palavra generosidade é associada à frouxidão, ao abandono de todas as normas, uma terra de ninguém!

Agir com generosidade é dar ao outro aquilo que ele precisa, enquanto agir com justiça é seguir as normas e leis.

Um bom exemplo é como lidar com funcionárias grávidas. Se as normas internas permitem somente uma saída do local de trabalho a cada 3 horas e você assim o exige, estará agindo com justiça. Ocorre que mulheres grávidas têm necessidades especiais, como por exemplo irem ao banheiro com mais freqüência. Se você entende isto e permite “esta liberdade”, você estará agindo com generosidade. O mesmo ocorre quando você abona uma falta de um funcionário que teve sua casa atingida por uma enchente, mesmo que isto não esteja previsto nas normas!

Funcionários valorizam chefes que lhes dão feedback, que incentivam inovações, que ouvem suas sugestões, que prometem e cumprem, que cuidam do desenvolvimento de todos, que acreditam neles e, pasmem, que lhes diz “Bom dia”!

José Teofilo Neto é educador nas áreas de atendimento, vendas, relacionamento, negociação e formação de gerentes. ([email protected])