Cofins ameaça 500 mil empregos de telemarketing

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A mudança na Cofins(Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social), significará um aumento líquido da carga tributária de 4,6% sobre o setor de call center, o que terá um impacto negativo na geração de novas vagas e na manutenção de 500 mil empregos atuais. A avaliação é de Topázio Silveira Neto, presidente da Associação Brasileira de Telemarketing (ABT). Incluído no setor de serviços, que se tornou a principal fonte de empregos no Brasil, o telemarketing será um dos principais prejudicados com a mudança na Cofins, que foi anunciado no dia 3 de novembro, no mini-pacote tributário do governo.

O tributo perdeu o efeito cascata (ou seja, o efeito cumulativo a cada etapa da produção), mas ficou 153% maior: passou de 3% para 7,6%. Com isso, perdem especialmente as cadeias produtivas menores, como os setores de comércio e de serviços e, dentro deste, o segmento de contact center. “Não temos como repassar esse valor, já que nossas empresas não dividem o custo com outras etapas da cadeia produtiva”, explica Silveira Neto.

Entre 1997 e 2001, o IBGE aponta que o número de vagas avançou 11,05% no setor de serviços, mas recuou 23,32% na indústria. No mesmo período, houve um crescimento de 198% no número de postos de trabalho em empresas brasileiras de call centers, totalizando 500 mil empregos. “Como o nosso principal gasto é com a mão-de-obra, sobre a qual não há crédito de Cofins, esse aumento abusivo afetará a geração de empregos pelo setor”, completa o presidente da ABT. “Mais uma vez, os setores geradores de empregos foram desprestigiados pelo governo nas decisões sobre a carga tributária”.