Comunicação é um dom

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Artigo: Julio Bugone
Dia desses, em uma conversa com um colega, este me expôs um sentimento de tristeza por não saber lidar com uma atitude de seu irmão, vendo dificuldade em aborda-lo sobre o assunto, acreditando prever a reação do irmão.
Disse: “…não sei como tratar essa situação pois tenho receio de sua reação, eu sei que ele é…”, e continuou utilizando um adjetivo que me permito traduzir como “cabeça dura”.
Um sentimento altruísta com uma pitada de angústia dominava esta pessoa, pois mesmo com toda vontade de ajudar, o medo pela rejeição e “quase” certeza em relação ao como seria interpretado, dominava a situação o impedindo de agir.
A sensação de “como” serei visto e tratado depois da abordagem era mais forte que a necessidade de apoio e reorientação.
Quantas vezes, em nosso dia a dia nos deparamos com situação semelhante, onde mesmo havendo uma incomensurável necessidade de orientar alguém, sinalizar um desvio ou destacar uma atitude, nos vemos diante desse mesmo dilema: “…preciso fazer isso, mas como serei tratado depois? como o outro irá receber isso ?”
Diante dessa intrigante situação, podemos entender que nossa auto-preservação acaba se tornando maior que a intenção de auxiliar o outro, pois o receio pela reação torna-se o fator impeditivo na realização daquilo que acreditamos ser o correto.
Em outras palavras, toda vez que nos preocupamos com algo, e buscamos conceber ideias para tratar essa questão, no meio do caminho somos dominados por um forte instinto de sobrevivência, temperado com uma certa dose de apofenia, que interrompem toda a linha de raciocínio lógico impedindo a análise completa de todo o contexto, levando a um raciocínio indutivo que cria finais previsíveis para a situação.
Todo esse processo nos limita a pensar na reação do outro, no depois, sendo que na verdade o foco deveria ser no “o que falar” e no “como falar”, pois tão importante quanto o teor de uma conversa é o tom dessa conversa.
Desde tempos remotos, a comunicação é de extrema importância para a integração, instrução e desenvolvimento da sociedade, pois o processo de comunicação consiste na transmissão de uma determinada informação entre um emissor e um receptor que decodifica essa mensagem.
Vale ressaltar que a boa comunicação vai além do falar e ouvir, é uma questão de sintonia, empatia e afinidade, não somente entre os interlocutores, mas também com o tema tratado.
Ou seja, palavras corretas, entonação adequada, respiração tranquila, postura corporal, pausas adequadas, olhar e escuta ativa, são alguns fatores que podem facilitar o entendimento do outro, porém se não houver concatenação com o tema, de nada valem.
Falar sobre o que dominamos deixa tudo mais fácil, por isso, ao nos depararmos com uma situação onde sentimos a necessidade de uma intervenção, o primeiro ato é se perguntar “…vou falar sobre algo que conheço? “, …se sim, siga em frente, caso contrário, busque detalhes, aprofunde sua visão sobre o tema, e aí então, fale com propriedade, sem se preocupar com o depois, pois tão importante quanto a conversa ocorrida, é a mensagem que buscou ser deixada.
Reflita… Comunicação é um dom, que pode ser aperfeiçoado a todo instante!
Julio Bugone é diretor da Vikat Consulting.