Horizontes femininos

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Autor: Luís Sérgio Lico

 

Muito já foi escrito e, naturalmente, muito ainda será debatido sobre a importância da mulher. Aliás, como não falar sobre quem nos deu a vida, nos ensinou as primeiras letras, as primeiras canções, curou nossas febres, velou sobre as assustadoras noites e nos revelou que podemos vencer a doença, o descaso e a tristeza. Como esquecer o apoio irrestrito e o incentivo que nos acompanharam durante uma vida inteira, além da força de palavras, gestos e presenças, que em seu conjunto sempre significou que podemos superar o mundo e conquistar nosso lugar. Nos momentos de incerteza havia alguém ali que apontava possibilidades e, se temos sucesso hoje, foi porque acreditamos nelas. Com certeza podemos dizer que, diante destas e de outras situações, todos os dias são das mulheres. Ou, pelo menos deveriam ser dedicados a elas.

 

Mas, isto não é apenas mais um discurso vazio, protocolar. O assunto é sério, quero dizer, já notaram que além do elogio de gênero e das palavras superficiais que costumam dizer nestas datas, existe uma realidade desconhecida por muitos? Quem pode avaliar corretamente a importância da diversidade de gêneros em uma organização, sociedade e economia? Sim, as mulheres ocupam imenso espaço social em todos os níveis, inclusive, determinando rumos, vidas, governos e organizações. O que poucos sabem é que isto era coisa impensável há apenas uma geração! A despeito de nossa desinformação as mulheres estão conseguindo ampliar seus horizontes e buscam, cada vez mais, novas fronteiras de atuação.

 

Além das mulheres que atingiram merecidamente postos de comando e que têm sob sua responsabilidade a governança de pequenas, médias e grandes corporações, vemos a imensa influência feminina em praticamente todo lugar. Por exemplo: como não lembrar das que ouvem nossas queixas nos call centers, as que aumentam nosso limite de crédito nos bancos, as que cuidam de nossos filhos, limpam nossas casas, lavam nossa roupa, dirigem motos e entregam nossa correspondência, suportam nosso mau humor, recolhem o lixo, entregam soluções empresariais e atendem nossos pedidos de remédios ou comida?

 

A lista não para por aí, temos as que vendem, as que compram, que selecionam, que contratam, que seguram nosso patrimônio, conferem balanços, dão aulas, fotografam, pesquisam, filosofam, filmam e abastecem nossos carros. Temos, também, as de tripla jornada, que fazem tudo isso e ainda tem que arrumar tempo para cuidar da família, muitas vezes esquecendo até de si próprias. Enfim, segundo o IBGE, hoje temos, no Brasil, mais de 86,3 milhões de trabalhadoras, grande parte acumulando a função de chefe de família, ou seja, a responsável por sustentar a casa. É pouco ou querem mais dados sobre esta importância?

 

Eu apenas lamento que a recíproca não seja verdadeira e o preconceito ronde a nossa cultura. Isto porque a despeito de tamanhos valores, conhecimento e energia, elas ainda continuam sendo cidadãs de segunda classe. Recebem proporcionalmente menos que o seu par biológico, quando atuam profissionalmente na mesma função. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), onde vemos que, em 2007, o rendimento médio real das mulheres correspondia a 66,1% da remuneração média masculina. Digam o que disserem, não há justificativas para o fato da discriminação por gênero. Isto é uma vergonha!

 

Assim, como homenagear efetivamente quem está presente em nossa vida desde sempre? Talvez possamos começar por reconhecer sua inteligência, seu lugar e papel na sociedade; remunerá-la adequadamente, abolir as barreiras e, quem sabe, aprender mais algumas lições e perspectivas que irão facilitar nossa vida. Enquanto isso, nós, os representantes do sexo masculino, temos outro desafio que é apressar o curso da evolução para que possamos um dia compreender o universo da mulher. Não é tarefa fácil, mas nós ainda chegaremos lá!

 

Luís Sérgio Lico é palestrante e conselheiro de organizações, mestre em Filosofia, consultor, professor e autor dos Livros: “O Profissional Invisível” e “O Fator Humano”.