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O preço do bom relacionamento

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Autor: Edilson Menezes
Os contemporâneos de Henry Ford calculavam como sistematizar o comportamento para que as pessoas pudessem produzir o máximo ao mínimo custo possível.
O século seguinte encarou uma espécie de efeito colateral desta visão, algo como uma ressaca comportamental de herança e o desafio do mundo inteiro era olhar para o ser humano com a especial atenção que ele merece.
Sinto-me tentado a parafrasear o personagem de Wagner Moura, o eterno Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite:
– E quem disse que a vida é fácil?
Se fosse, ainda nos meados de 2015 não escutaríamos mais a clássica expressão:
– Vou ficar me matando de trabalhar se eu sou apenas um número na empresa e amanhã ela pode me demitir?
São pensamentos como este que impedem o funcionário de alcançar o máximo da performance e a culpa, se é que ela existe, não é dele.
O empresário contrata o líder e pede para um determinado membro da equipe, de forma discreta, ficar de olho neste profissional.
– Uma vez por semana venha me dizer o que você está achando dele e se posso confiar!
No ambiente corporativo não existem segredos. Este funcionário de confiança, garboso pela tarefa, vai acabar comentando com alguém.
– Fica entre nós, hein? O patrão pediu para ficar de olho no novo diretor!
De um em um, essa informação vai circular pela empresa e o clima de desconfiança estará sempre no ar porque não é uma exceção, é sistêmico.
Acredite, depois de disseminar a desconfiança e o clima de fofoca, o empresário ainda deseja que os funcionários tenham bom relacionamento interpessoal.
As pessoas são incapazes de desenvolver afetuoso relacionamento com pares e líderes em meio ao clima de desconfiança, simplesmente porque afeto e desconfiança são sentimentos antagônicos.
Para piorar, temos empresários que instruem seus líderes a trabalharem com afinco para evitar a maior praga dos bons relacionamentos: fofoca. Em paralelo, pagam salário diferenciado para este e aquele, mas pedem encarecidamente para que fique “entre nós”. É óbvio que jamais ficará.
Existem duas formas de relacionamento interpessoal: o primeiro é frio e suficiente para que se conviva com respeito e o segundo é o rompimento desta fronteira, transformando-se na amizade entre profissionais e neste caso acabam os segredos.
Provavelmente, o (a) leitor (a) que acompanha minha coluna já percebeu por quais caminhos pretendo cobrar um posicionamento empresarial.
Desenvolva a transparência na empresa e celebre o fim da rotatividade. Ou mantenha os famosos segredinhos corporativos e se dê conta: não é justo cobrar bons relacionamentos onde a verdade não existe.
Ignoradas, estas quatro leis certamente vão comprometer o resultado empresarial:
1. Se você decidiu privilegiar um funcionário que atue na mesma função do seu par, promova-o. Faça o que é justo e crie um cargo novo. Funções iguais, salários iguais. Esta regra não pode mudar;
2. Pague mais impostos. Jamais promova alguém “por fora”. Invista regiamente no novo salário e pague com prazer o aumento dos impostos que incidirão sobre a nova realidade. O pensamento do empresário rico é ser justo e do empresário pobre é dar um jeitinho para reduzir a despesa fixa. A primeira opção aumenta o faturamento e a segunda, cedo ou tarde, vai acabar em demissão e recontratação, porque assim que o profissional evoluir, um empregador honesto o levará com tapete vermelho;
3. O relacionamento entre pares e líderes não pode ser visto como algo a se corrigir com periodicidade. O ser humano vive de emoções diárias e recorrente construção de sonhos, mas se recusa cultural e praticamente a atender qualquer política que destoe de seus anseios. Isso significa que o empresário não pode ignorar ou economizar esforços diários para o bom convívio e esperar que de repente, num passe de mágica, tudo estará resolvido. Contrate alguém que atue dentro ou fora (de preferência externo e neutro aos vícios da empresa) para lidar tão e somente com a coesão diária da equipe;
4. Existe uma ponte cultural que traz o empresário do passado massacrante para o presente promissor. Acesse-a. Vou explicar a diferença: do lado de lá da ponte, no passado, está o empresário espertinho. Ele não sabe a diferença entre gerar competitividade interna mantendo o pilar harmônico que sustenta a empresa e gerar discórdia, jogando um contra o outro, sussurrando para este que aquele não é bom e vice-versa. Do lado de cá, estão os empresários que sabem criar campanha de vendas, conhecem a arte de abrir um cargo líder e deixá-lo à espera daquele que melhor estiver preparado para o preenchimento e a promoção.
Não exatamente este humilde colunista, mas o país espera saber de você, empresário:
Gostaria que a sua empresa fosse composta por pessoas felizes que de fato acordam com o desejo de irem para o trabalho?
Então desenvolva programas para tal. Treine sua equipe, porque é muito mais barato e inteligente reciclar do que recontratar.
O maior erro é achar que relacionamento interpessoal se resume aos colaboradores. Sabe de quem é o comportamento que serve como maior referência para um ambiente profissional saudável?
Nas grandes empresas, do acionista. Nas médias, dos líderes e nas pequenas, dos proprietários.
Já a escolha, como sempre, é apenas sua, desde que tenha disposição para pagar o preço!
Edilson Menezes é treinador comportamental e consultor literário. Atua nas áreas de vendas, motivação, liderança e coesão de equipes. ([email protected])
Nota autoral: Gratidão, Andrea Vitaliano, por solicitar este tema!

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