O sentimento dos colaboradores na hora de voltar ao presencial

Estudo realizado nos EUA mostra que quase 70% preferem uma abordagem flexível, com apenas 2 ou 3 dias por semana no ambiente físico

0
248
Vitor Simão, diretor regional da Medallia Brasil
Vitor Simão, diretor regional da Medallia Brasil

A Medallia, organização especializada em customer e employee experience e engajamento, anunciou as descobertas da pesquisa “Return to Work Report”, realizada em agosto deste ano, nos Estados Unidos, pelo time de análise de mercado Sense360 by Medallia. Entre as principais descobertas se destaca o fato de que menos de um em cada cinco dos colaboradores que estão em home office desejam retornar completamente ao lugar de trabalho. Além disso, a maioria (68%) dos entrevistados prefere uma escala flexível, com 2 ou 3 dias de ida ao trabalho por semana. Quando perguntados sobre o que é mais importante ao escolher um futuro emprego, os 2012 entrevistados disseram que a aceitação do trabalho remoto era o terceiro fator mais impactante, após salário e carga de trabalho.

Na avaliação de Vitor Simão, diretor regional da Medallia Brasil, “depois de 18 meses de pandemia e com mais de 70% da população brasileira já tendo tomado ao menos uma dose da vacina contra a Covid-19, o mercado brasileiro já estudava como organizar a volta ao trabalho. É nesse contexto que entra em cena a pesquisa, ao lançar luzes sobre o sentimento dos profissionais sobre essa questão num país como os EUA”.

No entender do executivo, o quadro delineado pela pesquisa da Sense360 by Medallia representa um alerta para o gestor brasileiro que deseja atrair e manter talentos. Para ele, um dos pontos mais reveladores diz respeito às possíveis penalizações a quem segue trabalhando remotamente. “Identificamos nos entrevistados a percepção de que quem fizer essa escolha terá menos oportunidades de crescimento na carreira do que quem aceita voltar ao escritório”. 

Ainda de acordo com a sondagem, quase 6 em cada 10 de todos os entrevistados acreditam que seja justo que a decisão de colaboradores de permanecer em trabalho remoto traga consequências para esse grupo em comparação com quem aceitou retornar à sede da empresa. As consequências consideradas justas incluem supervisão mais estrita da liderança sobre quem está em trabalho remoto e maior dificuldade em conquistar aumentos de salários e promoções. Menos de 1 em cada 5 entrevistados acreditam que seja justo que a empresa demita ou reduza o salário dos funcionários que preferem permanecer remotos. Entre os colaboradores que só atuam em home office, porém, 56% acreditam que nenhuma penalização deveria ser imposta a quem segue esse modelo.  Dentre os que trabalham presencialmente, 2 em cada 5 observaram mudanças nas políticas de seu local de trabalho (isto é, uso de máscara, distanciamento social etc.) devido à Covid-19. 

Empatia dos gestores
O estudo mostra que alguns colaboradores apresentam visões diferentes de outros colegas entrevistados.  “Uma pesquisa como essa comprova que os gestores têm de lidar com um vasto espectro de percepções – isso torna essencial conquistar habilidades para escutar o colaborador, compreendendo com precisão seus sentimentos”, reflete Simão.  Para ele, a empatia dos gestores com os colaboradores e o uso de soluções de Employee Experience (EX) são essenciais para consolidar essa visão, construindo um quadro fiel do que se passa com os profissionais de uma organização.

Na sua concepção, “a utilização de plataformas de EX que coletam de forma automática, com ajuda de inteligência artificial e machine learning, milhares de sinais sobre o que efetivamente sentem as pessoas facilita que os gestores tomem as melhores decisões num momento tão disruptivo como o atual”. Enquanto para Andrew Custage, head de Analytics da Sense360 By Medallia, “talvez o insight mais impactante desse relatório seja o desejo dos colaboradores de que seus gestores sejam flexíveis quanto às decisões de onde a pessoa irá trabalhar”.