O “shift” nos processos de coaching

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Autora: Silvana Mello
Passamos uma vida inteira em constante processo de mutação, onde algumas mudanças são inexoráveis, como a mudança física gerada pelo passar dos anos, a mudança mental e afetiva desenvolvida pelos processos de aprendizagem,  pelas nossas experiências, por nossa educação, pelos nossos relacionamentos, perdas, vitórias, frustrações e a forma com que aprendemos a processar tudo isso. Por fim, e não menos importante, a mudança espiritual, uma dimensão importante que ganhamos consciência ao longo dos anos, ou seja, a mudança transpassa a nossa vida de fora a fora.
As mudanças não param por aí, dias atrás estive em um cliente que me contou do desafio biológico que seus funcionários atravessam. Perguntei: quais são: “acordar às 5h00 para pegar o ônibus que passa às 6h00 em função de uma mudança no horário da empresa que funcionará das 7h00 às 16h00 ao invés de 8h00 às 17h00. Também temos muitos funcionários que lidam com países muito distantes que precisam estar disponíveis de madrugada”. A mudança está presente em nossas vidas e, de maneira quase molecular, vamos absorvendo e fazendo as adequações necessárias.
Este artigo tem o objetivo de ajudar as pessoas que querem e precisam mudar e de alguma forma enfrentam dificuldades! Algumas reflexões importantes sobre a mudança:
1 – Somos competentes para fazer a mudança em nós mesmos, basta querer, mas querer de verdade.
Muitas vezes, acreditamos que para resolver uma situação ou problema, é necessário que exista uma mudança somente por parte do outro. Percebemos, porém, que situações parecidas voltam a se repetir, tornando-se um círculo vicioso, um verdadeiro looping. Isso nos mostra que, se a mudança não acontecer em nós, nunca será efetiva. Certa vez, no meio de um processo de coaching de um executivo que estava no continente asiático, estávamos trabalhando sua Gestão Estratégica, maturidade para uma posição maior, e acabamos descobrindo que a conexão que ele estabelecia com as pessoas era muito pobre, distante e, pouco a pouco, começamos a investigar de maneira mais profunda a forma como ele se conectava com as pessoas. Quando começamos a explorar a maneira como ele se relacionava de um modo geral, descobrimos uma falta de conexão em todos os seus relacionamentos. Esta descoberta foi muito importante para ele, pois estava realmente disposto a mudar e se desenvolver. Sua liderança se transformou porque ele abriu esta porta. Não foi fácil, mas um salto importante na vida e na carreira dele. Ele foi promovido, resolveu ser pai em uma idade já avançada, enfim, fez outras mudanças em sua vida.
2 – A importância do autoconhecimento
Depois de mais de 1000 horas desenvolvendo processos de coaching para executivos dentro e fora do Brasil, certamente é possível observar que os executivos que tem uma maior consciência sobre suas potencialidades, pontos a desenvolver, valores, crenças, missão e visão de futuro são os que estão mais prontos a responder rapidamente a um processo de mudança. É muito comum encontrar nas empresas, executivos que não têm clareza sobre suas potencialidades e pontos a desenvolver. E este é o fator mais crítico na vida de um profissional, pois não se conhecer implica em tomar decisões de carreira baseadas em modismos e oportunismos. Significa frustrar-se com posições que estão acima ou aquém de seu tamanho ou até inclinar-se em uma carreira que não lhe fará feliz.
Muitas vezes o executivo tem uma boa noção de seu perfil, mas não conhece o impacto de seu estilo no meio ambiente e, aprofundar sobre isso, ajuda muito nos processos de mudança. Eu apoio um executivo que não tem a menor noção do impacto de seu estilo de liderança e isso é realmente devastador. A ampliação desta sensibilidade é muito importante. A consciência por si só é curativa e a descoberta da percepção dos outros é valiosa.
3 – A arte de Mudar
Depois de querer e se conhecer… Ufa…! Agora é só tomar a decisão de mudar! Parece fácil… A mudança só faz sentido quando tem conexão com sua missão maior no mundo, com sua crença, com seu coração. Certa vez eu estava trabalhando com uma alta executiva que atuava em uma empresa de TI. Ela era linda, solteira, muito competente e, até certo ponto, ambiciosa. Ela queria trabalhar sua visão de futuro, que, basicamente, incluía pensar em sua carreira no longo prazo.  Começamos a trabalhar e no meio do processo ela começou a descobrir um ser humano que queria trabalhar por uma causa social, que queria ter uma família bem grande, queria ser feliz, ser uma boa mãe e uma boa esposa.  No decorrer dos meses era evidente a sua angústia e surpresa com o desdobramento do processo de coaching. Até que um dia ela me disse: “mas este ser humano sou eu”! Ela casou-se, ficou grávida de gêmeos e mudou sua visão de futuro sobre sua vida e carreira, tudo isto em apenas sete meses. Tenho muito orgulho de ter trabalhado com ela.
Certamente ela fez mudanças profundas por que ela quis, estava disposta a se conhecer e tomou a decisão de mudar… E você? Quando você dará o seu próximo passo? O verdadeiro shift começa com uma mudança de atitude, com uma intenção genuína de mudar.
Silvana Mello é diretora de coaching na consultoria LHH|DBM.

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