Sustentabilidade, é comigo?

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Não é de hoje que se discute o crescimento econômico sustentável. De um lado os lucros, do outro a sociedade dependente dos recursos naturais. Nessa “balança do futuro”, prevalece a decisão das empresas, independente do setor. Diante deste cenário, o Portal Callcenter.inf.br ouviu com exclusividade, especialistas e empresas do segmento para saber se é possível ter um call center sustentável. Há quem identifique desafios. “O desafio das empresas é gerar equilíbrio entre os benefícios para o negócio e para a sociedade”, defende Emílio Martos, gerente executivo de mobilização do Instituto Ethos.
 
Apesar de ainda estar engatinhando nesse sentido, a aposta da indústria de contact center não foge ao que muitos outros mercados têm feito ou caminhado. “Falta um trabalho maior de conscientização para aproveitar este momento em que o conceito ´sustentabilidade´ é valorizado pelos consumidores”, critica Claudia Januário, coordenadora do Instituto CSU, entidade sem fins lucrativos, criada em 2003 pela CSU.
 
Uma das ações do Instituto CSU, localizado em Barueri, é a manutenção de um programa de inclusão digital para jovens e adultos de comunidades dos arredores. O objetivo da ação é contribuir com o desenvolvimento profissional das pessoas que fazem parte da comunidade onde a empresa está instalada. “Com os investimentos na qualificação profissional e integração social de jovens das regiões vizinhas, reduzimos custos e beneficiamos a comunidade, uma forma de investir em sustentabilidade”, ressalta Claudia.
 
Por outro lado, a AeC foca no cuidado com o meio ambiente, como o reuso da água da chuva, utilização de sistema de climatização com consumo de energia 30% menor que o convencional, aproveitamento da iluminação natural no ambiente de trabalho e reserva de áreas permeáveis nas unidades. “Em todas as unidades da AeC só utilizamos métodos construtivos sustentáveis”, informa Claudio Brito Xavier , diretor de infraestrutura, projetos e expansões da companhia.
 
O fato é que, se praticados em conjunto, os pequenos gestos podem ter resultados bastante positivos. “As empresas, ao assumirem os compromissos com a prática da sustentabilidade, devem integrar os aspectos éticos, sociais e ambientais como premissa em suas diretrizes de gestão, de forma que as políticas corporativas para as dimensões sociais e ambientais sejam integradas às práticas de negócios e aliadas à obtenção de resultados econômicos”, explica, Rosmary Delboni, gestora na unidade de responsabilidade social da Keyassociados, consultoria de soluções sustentáveis.
 
A divulgação das ações é outro fator relevante no processo de adequação às necessidades de crescimento sustentável, tanto na avaliação que os clientes farão da empresa, quanto no estímulo às práticas como tendência para que outras organizações sigam o exemplo, como salienta Martos, do Instituto Ethos. O primeiro passo é fazer um diagnóstico das práticas em relação aos diferentes públicos, para depois elaborar planos de ação que atendam às questões estratégicas. “O final dessa história é o preparo de um relatório de sustentabilidade, onde a empresa apresenta impactos econômicos, ambientais e sociais, as boas práticas que realiza e, especialmente, os seus dilemas”, sugere o especialista.
 
É claro que não basta dizer “sou sustentável”, mas há, sim, uma construção de imagem e filosofia ao longo do tempo. “A atuação e a visibilidade de uma empresa como sustentável depende de um longo percurso que deve ser construído não apenas com discurso, mas como prática efetiva em sua gestão”, ressalta Rosmary, da Keyassociados. E apesar dos avanços na conscientização, esse é um caminho longo. “Temos muitas oportunidades de melhorar as iniciativas sustentáveis”, assume Xavier, da AeC.
 
E, então? A sustentabilidade já faz parte do dia a dia da sua empresa? Deixe sua opinião em nossa enquete.
 
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