Telemarketing pode demitir 35 mil por conta da Cofins

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O telemarketing calcula quantos empregos em carteira terá de eliminar por conta do aumento da alíquota da Cofins de 3% para 7,6%. Os primeiros estudos indicam que devem ser cortados 35 mil dos 500 mil postos de trabalho sustentados pelo setor. Antes do pacote tributário, a Associação Brasileira de Telemarketing (ABT) previa o crescimento de mais 50 mil empregos em 2004. Uma semana depois do pacote, a previsão de mais empregos caiu para 25 mil. Agora, com os estudos completos sobre os efeitos do Cofins nas empresas de call center, que têm uma cadeia produtiva curta, a estimativa é de cortar 35 mil empregos.
Depois do insucesso em se fazer ouvir pelo governo federal, as empresas de telemarketing, as maiores empregadoras do país e responsáveis pelo primeiro emprego de jovens, não poderão mais adiar a decisão do corte, sob risco de comprometer a sobrevivência dos empreendimentos.
O presidente da Associação Brasileira de Telemarketing, Topázio Silveira Neto, explica a situação: “Para compensar o impacto tributário, talvez não tenhamos alternativa além de buscar tecnologia no exterior que reduza em 7% o total de nossos empregados, o que atingirá 35 mil pessoas”. O presidente da ABT afirma que a única maneira de sobrevivência do telemarketing é pela redução do principal custo do setor, o de mão-de-obra. “É lamentável que não consigamos discutir com o governo uma alternativa para o nosso impasse, mas o Executivo nos confunde com o setor de telecomunicações, que é completamente diferente”, segue Silveira Neto.
O presidente da ABT explica que, nos Estados Unidos, o governo federal toma medidas para evitar a evasão de empregos no telemarketing, tendência acentuada nos últimos anos. “É incoerente que no Brasil, onde precisamos urgentemente de geração de empregos, o governo despreze um setor que vem se firmando como porta de entrada para jovens no mercado de trabalho”, finaliza Silveira Neto. “Apesar da boa vontade de alguns parlamentares diante dos nossos argumentos, notamos que o Executivo só tem ouvidos para as exigências do Ministério da Fazenda, não para as necessidades sociais”.