Turnover na base da pirâmide

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Autora: Cíntia Bortotto

 

O desemprego brasileiro atingiu 5,3% em agosto, segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A informação foi divulgada na semana passada. Este foi o nível mais baixo de desemprego para um mês de agosto desde março de 2002, quando teve início da série histórica do instituto.

 

O impacto deste dado no contexto de muitas empresas é a dificuldade em atrair e reter as pessoas, de forma particular para a base da pirâmide. Muitas vezes, as companhias contratam pessoas que precisam trabalhar e têm as qualificações mínimas para a função. Depois de pouco tempo, estes trabalhadores recebem uma proposta com pouca variação salarial e aceitam trocar de emprego.

 

Isto acontece porque, hoje, a oferta de empregos é grande e as pessoas têm mais dificuldades em lidar com as frustrações e adiar as recompensas. Apenas quando há um vínculo com a gestão que as pessoas têm mais pré-disposição para aguardar a recompensa (um aumento, por exemplo) ou para suportar frustrações, pois sabe que pode contar com o apoio de seu superior.

 

Se observarmos países mais desenvolvidos, eles já passaram por este movimento e as funções da base da pirâmide (limpeza, operação das fábricas, auxiliares administrativos) eram delegadas para pessoas menos qualificadas ou que vinham de outros países e se remunerava melhor neste tipo de função. É prematuro afirmar que isto é uma tendência aqui no Brasil, mas há algumas semelhanças. A pergunta ainda está no ar: o que fazer para reter esta mão de obra da base da pirâmide? Seguem sugestões:

 

1. Investir na liderança – são os lideres que têm vínculo direto com a empresa e é pela figura do líder que o colaborador se motiva e mantém nela;
2. Ter remuneração e benefícios condizentes com o mercado. Invista em pesquisas de cargos e salários para ter uma referência de quanto o mercado paga para cada função;
3. Ter um processo de feedback constante e estruturado;
4. Ter um processo claro de evolução em termos de carreira, o funcionário tem que conseguir visualizar para onde e por onde pode trilhar sua trajetória profissional.

 

Investir em ferramentas de retenção não tem apenas aspecto social e de melhoria no clima organizacional. É um investimento que tem um retorno considerável quando colocamos em números o custo indireto do turnover, que pode causar muito prejuízo ao empresário.

 

Se você é empresário ou gestor, retenha a sua base e tenha mais lucratividade e satisfação.

 

Cíntia Bortotto é consultora em Recursos Humanos.