Yahoo! e o dilema do home office

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Autor: Pablo Aversa



Todo mundo sabe sobre o fim do home office no Yahoo!. E todo mundo tem uma opinião sobre essa questão: ou se trata de um baita retrocesso, para dias pré-históricos, que estrangula o engajamento dos funcionários; ou é exatamente disso que o Yahoo! necessita para desencadear inovação e melhorar a produtividade da organização.



Em minha opinião, o debate se resume a duas questões:

1. Isso era a coisa certa para o Yahoo! fazer?

2. Isso é a coisa certa para outras empresas?



Para respondê-las, ajuda deixar de lado todo esse alvoroço e indignação e apenas lidar com a realidade concreta. Com isso em mente, trago à tona a minha reflexão, que fiz ao ler, recentemente, uma matéria sobre o tema e que ajuda a chegar ao cerne da questão: os times são mais eficientes atuando 100% de forma presencial do que quando alguns integrantes operam remotamente? Em praticamente toda hipótese que posso imaginar, sim, sem dúvida alguma.



Em termos de cooperação, inovação, eficácia, tomada de decisão e produtividade – de toda maneira que se possa imaginar -, não há benefício algum em ter algumas pessoas trabalhando em casa (seja integralmente ou parcialmente). Isso não significa que elas não possam ou que não devam, mas apenas o que acabei de afirmar: grupos são, sim, mais efetivos presencialmente.



Todas as equipes e funções em toda empresa são impactadas igualmente quando alguns integrantes trabalham em casa? É claro que não. Mesmo que seja melhor ter presencialmente todos os envolvidos, certas equipes e funções em determinadas empresas não vão ser muito afetadas. Algumas vão perceber uma tremenda queda em uma ou mais métricas mencionadas acima, enquanto outras ficarão no meio-termo. Mas dou um alerta: quando há prazos a cumprir, você vai querer que a equipe faça o seu melhor.



Trabalhar em casa beneficia os funcionários, seja de forma pessoal ou em termos de carreira? Pessoalmente, com certeza. Você consegue fazer mais coisas particulares em casa do que faria na empresa. Quanto à carreira, não. Dedicar tempo e energia tête-à-tête é fundamental para escalar a hierarquia corporativa. Você precisa fazer o corpo a corpo, se quiser ser promovido. Faz parte do jogo.



Com essas reflexões em mente, agora fica mais fácil responder aos questionamentos que todos estão levantando.



– Era isso a coisa certa para o Yahoo! fazer?

Quando a empresa está com problemas, precisa que seus funcionários deem o melhor de si. Ter todo mundo na empresa, de corpo e alma, vai ao encontro desse propósito. Em termos de engajamento, funciona. Se o funcionário quiser o melhor para sua empresa, como deveria desejar, verá isso como uma coisa boa. Se não, creio que o Yahoo! não perderá muito se ele se demitir. E digo mais: se a liderança do Yahoo! não considerasse isso um problema, não teria mudado a política da empresa. Portanto, considero que tomaram a decisão correta.



– É isso a coisa certa para outras empresas?

Não necessariamente. A questão se resume ao seguinte: a não ser que a empresa esteja em sérios apuros, não vejo razão para tais medidas draconianas, ou seja, lançar mão de uma norma que acabe com o home office na empresa como um todo. Considerando que há inúmeras variáveis envolvidas, tais como as mencionadas acima, por que não permitir que os gerentes tomem a decisão individualmente? Aí, é só deixar claro que a responsabilidade pelos resultados continua sendo deles. Esse seria um movimento sábio.



Quanto às decisões individuais de cada grupo, a questão é muito simples. Para as funções em que é muito melhor ter presencialmente as pessoas, os gestores devem, no mínimo, definir limites razoáveis para o home office, especialmente quando o grupo tem prazos a cumprir. Para os cargos em que não faz grande diferença ter os profissionais trabalhando em casa (seja parcial ou integralmente) e, principalmente, quando o senso de urgência é baixo, acho que mais liberdade faz mais sentido.



Algumas pessoas vão ser mais produtivas trabalhando em casa que outras. Na verdade, tudo isso é um peso adicional nas costas dos gerentes, pois agora eles precisam supervisionar pessoas que trabalham em casa. Mas tudo bem, isso é totalmente viável, desde que eles estejam dispostos a monitorá-las um pouco mais de perto, para garantir que estejam fazendo as tarefas com as quais se comprometeram.

Em suma, não vejo nenhuma razão para tamanho alvoroço sobre o tema. E você?



Pablo Aversa é sócio-fundador da Alliance Coaching.

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