A lógica da integração

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Max Schrappe

Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) demonstra: mais de 30 acordos entre países da região, incluindo o Caribe, foram assinados desde 1990 e numerosos outros encontram-se em elaboração. As tarifas médias caíram de 40%, em meados da década de 1980, para cerca de 12% nos anos 90. O comércio latino-americano cresceu de maneira mais rápida do que o mundial na década passada e, apesar da estagnação no período 2000/2002, conseguiu melhores resultados em 2003, quando as exportações continentais cresceram 8%.
Neste contexto, disputas comerciais, como a recente “guerra dos fogões” envolvendo Argentina e Brasil, acabam subvertendo esse processo positivo de interação comercial, retardando a soma de esforços tão necessária para o enfrentamento dos desafios da globalização e da Alca. No tocante às nações latino-americanas, a competição deve dar lugar à cooperação. Devem somar suas potencialidades e virtudes, em cada uma das cadeias produtivas, gerando ganhos de competitividade capazes de beneficiar todos. Cada dissensão representa uma vantagem estratégica para empresas e países de outras regiões.
Ingressar em blocos como a Alca e participar do inexorável jogo da globalização implicam estratégia e exigem a realização de grande lição de casa. É preciso que as cadeias produtivas das nações latino-americanas sejam intercomplementares, somando virtudes e eliminando os pontos fracos. Acreditar na possibilidade de competir isoladamente com economias gigantes como a dos Estados Unidos ou da
União Européia é uma utopia. Mais do que nunca é preciso integrar e potencializar forças.
Como observa relatório do BID, “tratados sub-regionais e áreas de livre comércio requerem capacidade para negociar e implementar acordos complexos, bem como um ambiente macroeconômico estável, ajustes setoriais, boa governança, investimentos em infra-estrutura e enfoque na pobreza e na eqüidade. A tendência crescente dos países da região de buscar áreas de livre comércio com os Estados Unidos, o Canadá e o Japão só aumenta o desafio, devido às diferenças no grau de abertura das economias e às capacidades assimétricas”.
Agora, portanto, os países da América Latina e do Caribe têm o desafio ampliado de promover o crescimento num novo cenário econômico internacional, marcado por radical exigência de competitividade. A troca de informações, o intercâmbio, as experiências bem-sucedidas de aplicação tecnológica na aquisição de diferenciais competitivos configuram-se como elementos a serem agregados cada vez mais na
interação entre empresas e nações do Continente.
Somos 33 países (12 da América do Sul, 20 da América Central e Caribe e mais o México). Juntas, estas nações têm 502 milhões de habitantes e um PIB de quase 3 trilhões de dólares. Trata-se, portanto, de um mercado expressivo, que precisa caminhar unido para se desenvolver cada vez mais. Todos esses números precisam ser somados para ter peso e conteúdo substantivo no universo da economia globalizada. Divisão, subtração, disputas comerciais precipitadas e desagregadoras e desentendimento contrariam a lógica da integração, única capaz de nortear o desenvolvimento latino-americano na nova ordem econômica mundial.
Max Schrappe é presidente da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf) e do Conselho Consultivo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). É vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).