Ano novo… o que vem?

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Autor: Zilda Knoploch


O comércio e o consumo expressam muito mais do que aquilo que as pessoas desejam, do seu estilo de vida ou até mesmo do que compram. Eles são faces visíveis de muitos movimentos macroeconômicos internacionais que estão aí, do seu lado, há muitos e muitos anos e, às vezes, você nem percebe.

 

Sobre a importância de antever o futuro, pense, aja, interaja e pesquise o que o seu cliente deseja para oferecer o que ele quer, na hora e do jeito que ele precisar. Assim, terá um consumidor fiel e pronto para se relacionar com sua marca em todos os momentos.

 

Ainda sobre como o desejo de consumo das pessoas expressa algo mais amplo, dou um exemplo bem recente. No último dia 16 de dezembro, a Apple, realizou o lançamento do iPhone 4S no mercado brasileiro. Centenas de pessoas acotovelaram-se até altas horas da noite esperando os pontos de venda iniciarem a comercialização do novo gadget. Nos Estados Unidos, onde o lançamento foi feito dois meses antes, o telefone causou um verdadeiro alvoroço, correria e até briga na porta das lojas. Assim, seria previsível que o mesmo ocorresse aqui no Brasil, como, de fato, ocorreu.

 

Por isso é que um dos grandes segredos das relações pessoa-marca é se preparar para conhecer e aproveitar as oportunidades. Não sei quantos iPhones 4S serão vendidos nos próximos meses, mas sei que serão muitos. E mesmo quem não comprou no dia do lançamento, vai comprar em breve. Essa é a essência do planejamento: pensar à longo prazo e antever, hoje, o que será sucesso no futuro. Mas o que vem por aí?

 

O talento e a perícia dos nossos pesquisadores em busca desse caminho nos dão inspiração para pensar.

 

Ao falar em varejo, mesmo com o crescimento evidente da classe C no Brasil, não é novidade a notória desigualdade de renda e, consequentemente, do estilo de vida e das preferências no País. De posse dessa realidade, os fabricantes e comerciantes que tenham produtos e serviços abrangentes, em vez de privilegiar a classe C, pelo volume que esta representa, deveriam desenvolver estratégias diferenciadas para atingir todas as parcelas de consumidores. Haverá sempre muitas oportunidades para vender e se comunicar com a classe C. Mas também começam a surgir demandas para as D e E, especialmente nos itens que antes não eram tão acessíveis para esse público, como moda, tecnologia, higiene pessoal e até mesmo lazer. Ou seja, as classes D e E serão amanhã o que hoje é a classe C.

 

Outro fenômeno social que identificamos na década passada, mas que tem aumentado visivelmente é a consciência dos consumidores quanto à sua força. Cada vez mais eles buscam por seus direitos, exigem mais transparência das empresas (e até dos governantes) e usam as redes sociais para provocar respostas mais rápidas e obter um atendimento às vezes até impossível em outros canais. O SAC tem agora 140 caracteres.

 

E com essa nova realidade, assistimos a um crescimento exponencial das atividades e ações diferenciadas das marcas nas redes sociais e o aumento das fanpages no FaceBook. O consumidor 2.0 (ou e-consumidor), que já está presente, buscando e exigindo a interatividade das empresas pelas social networks, tornou-se um novo profissional, quase que um brand-ombudsman, ou seja, um auditor de marcas do futuro.

 

Outro ponto importantíssimo e que você, leitor, deve prestar atenção é: o desenho das gerações no Brasil mudou. Ao mesmo tempo em que os Y e @ (também conhecida como geração Z) fincam sua bandeira em todos os setores, vemos que a terceira idade passa a aproveitar mais sua vida e volta à ativa, diferentemente do que faziam nossos pais e avós. Esse grupo é até chamado de Celebrators, justamente porque quer celebrar a vida em uma nova fase, que não indica um declínio, mas um novo patamar. Com isso vemos que as boas perspectivas de consumo existem cada vez mais para todas as idades, não apenas para os jovens, que sempre foram o maior foco dos anunciantes.

 

Essas características – idade, classe econômica, social e desejos – convergem para a primeira frase deste artigo: as pessoas buscam cada vez satisfazer suas vontades reais de consumo. Com o quê? Tecnologia. Lembre dos clientes da Apple. O que explica esse apetite feroz por um novo smartphone? A possibilidade de se conectar mais e melhor. Isso é o que as pessoas querem. Interagir com um toque, acessar a Internet na palma da mão, conversar com amigos via redes sociais, tirar fotos, produzir vídeos, pagar contas pelo próprio celular e mostrar para todo mundo o que estão fazendo.

 

Isso mexe com a cadeia de produção e comercial, que já pensa, hoje, lá na frente (prestaram atenção como é possível utilizar a visão de longo prazo, comentada anteriormente?). A indústria fala em digital touch: celulares, TVs, computadores, fogões e até acendedores de luminárias capazes de funcionar com um simples toque, sem a necessidade de um plano físico ou um monitor plano para interação. Minority Report? Não. É a evolução. Mas esse é um assunto para outro artigo!

 

Zilda Knoploch é fundadora e sócia da Enfoque Pesquisa.