As chaves para o sucesso

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Por Gilberto Guimarães

Construir uma carreira sólida e ter sucesso é o grande sonho de todos.Mas, infelizmente, os especialistas garantem que para alcançar esse objetivo é necessário ter-se centenas de qualidades e características pessoais. A pessoa tem que ser líder, saber trabalhar em equipe, saber se relacionar, ser eficiente, falar vários idiomas, conhecer diferentes culturas, ter inúmeros diplomas, MBA, Phd, ser jovem mas ter experiência, ter morado fora, ser isso, ser aquilo… bom pai, bom filho, bom marido, bom amigo, bonito e ainda conseguir tempo para ser um profissional perfeito, pró-ativo, ético e leal, com todas as qualidades exigidas pelos especialistas em recursos humanos. A verdadeira “síndrome do super-homem”. Eu chego a me imaginar ouvindo, nas entrevistas, a música do “missão impossível” com Tom Cruise entrando em ação.

Isto não pode estar certo, mesmo porque um ser humano com todas estas qualidades não parece ser tão humano assim. Antes de tudo, para ter sucesso o importante mesmo é poder fazer o que você gosta e sabe fazer. Este é o primeiro passo. Atuar com as competências e preferências pessoais.

As pessoas têm que entender que o sucesso só virá quando elas conseguirem fazer um trabalho que elas gostem de fazer e tenham competência para isso. Esse é o caminho. A pessoa tem que ter as preferências para fazer e as competências para exercer. Não basta ter apenas um ou outro. Ela pode até ter apenas competência para fazer algo, mas alguém que tenha a preferência com certeza fará melhor que ela.

Analisando a vida dos profissionais que conseguiram chegar ao sucesso, você vai perceber que são pessoas muito focadas e centradas e que aplicaram até o limite a sua vocação ou dom natural. É um erro obrigar-se uma criança que não gosta de números, mas que adora criar e escrever histórias, estudar matemática como louca e parar de escrever,como fazem nossas escolas. Ela nunca será um grande matemático, físico, financista, etc. O segredo é não gastar tempo e dinheiro tentando ser menos ruim naquilo que você não é bom. Tente gastar tempo e dinheiro para ficar melhor ainda naquilo que você já é naturalmente bom.

Existem, no entanto, cinco competências essenciais para se alcançar o sucesso e que, mesmo não sendo preferências, devem ser aprendidas e melhoradas. O mundo empresarial exige estas competências essenciais para o sucesso, nada angustiantes. Não precisa ouvir de novo a música do “Missão Impossível” tocar na sua cabeça, pois não é nada muito difícil de se aprender ou desenvolver. Quem é bom melhora, quem não é bom, fica menos ruim.

A primeira delas, não necessariamente pela ordem de importância, é a capacidade de influenciar fatos e pessoas, ou seja, a capacidade de fazer com que pessoas entendam o que você quer, acreditem em você, ou que coisas aconteçam porque você conseguiu que pessoas fizessem. Essa competência é fundamental em liderança, pois, nas novas organizações, líder não é aquele que impõe, mas sim aquele que influencia.

Outra é a capacidade de escolher, ou seja, optar-se por uma alternativa ou coisa e abrir mão das demais, ou de todo o resto. Todos nós temos uma dificuldade em escolher. Não pela dificuldade em optar, mas sim pelo medo de não estar fazendo a escolha certa, pelo receio de talvez existir uma alternativa melhor, ainda desconhecida. É como dizer que o difícil não é casar com uma mulher, mas sim, abrir mão de todas as outras mulheres do mundo. A arte de escolher é fundamental para a competência em tomar decisões e para a habilidade em negociar.

Uma terceira competência é a capacidade de ter empatia, de perceber o que os outros querem, e conseguir que os outros percebam o que você quer. Comunicação é a capacidade de ouvir o que os outros querem e de dizer aos outros o quê você quer. Comunicar não é habilidade de falar bem, já que 80% da comunicação é não verbal. A pessoa só vai conseguir fazer uma carreira de sucesso se ela tiver a comunicação adequada com clientes, com fornecedores, com subordinados e superiores, ou seja, com a comunidade que o cerca. Esta competência está muito ligada à capacidade de influenciar pessoas, já que para influenciar você tem que conseguir se comunicar da maneira adequada com cada pessoa.

A quarta competência é a capacidade de controlar pessoas e situações. Isso começa pelo autocontrole, pois quem não se controla, não vai controlar ninguém, nem nenhuma situação. Mas, autocontrole não significa não sentir, mas sim usar adequadamente o sentimento. É claro que você vai sentir, mas não precisa reagir descontroladamente àquela situação ou aquele fato. O importante é saber usar o sentimento. A competência em gerenciar pessoas ou projetos depende basicamente da capacidade de se controlar.

A última, mas não menos importante, é a capacidade de antecipação, de pensar na frente. O bom profissional é aquele que avalia e prevê o que vai acontecer, e não aquilo que já aconteceu. Para não ser pego de surpresa você, tem que antecipar, ou seja, estar vigilante. Não pode estar vigilante em tudo, portanto só pode antecipar aquilo que você se mantêm informado, atento. Portanto, estabeleça prioridades e interesses, defina aquilo que você precisa antecipar, e mantenha uma vigília estratégica. O futuro não é uma adivinhação, mas a conseqüência do que já está acontecendo. É como se o proprietário da casa aonde você mora há muitos anos lhe pedisse para sair porque a filha vai casar e morar lá.

De repente, naquele mesmo caminho que você faz todo dia da casa para o trabalho, você começa a perceber que existem inúmeras placas de casas para vender ou alugar, que você, quando não precisava, nem notava. Você vê o que você quer ver, ouve o que quer ouvir. Portanto, defina qual é seu projeto de vida, seu objetivo e fique atento e vigilante naquilo que é importante para a sua carreira.

E esta é a arte do Sucesso na carreira – ter um projeto, amplificar as competências naturais e desenvolver as competências essenciais. Estas provavelmente são as tão procuradas chaves para o sucesso.

Gilberto Guimarães é diretor da consultoria francesa de recursos humanos BPI do Brasil e professor da Fundação Getúlio Vargas e da GV Consult.