As mil e uma utilidades do celular

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Vagner Diniz

Já que estou me aproximando dos 50 anos, adotei como boa prática um check-up médico anual. Feito os exames e agendada a consulta com a cardiologista, eis que, para minha surpresa, na véspera do retorno, recebo uma mensagem SMS em meu celular: “HCor informa – SR. VAGNER consulta confirmada para 31/05/2006 às 18h30. Para cancelar responda <código> ou ligue para <telefone>”.

Surpreso pelo Hospital do Coração alcançar-me na rua, onde eu estava ao receber a mensagem, e pela utilidade percebida no momento em que estava para esquecer da boa prática de ouvir as mesmas recomendações sobre colesterol, glicemia etc. Trata-se de um serviço relevante, de interesse público, e sem ser estatal. Fico a imaginar o quanto idéias simples como essa são aplicáveis na esfera pública, podendo melhorar a qualidade e quantidade de serviços entregues pelos governos.

Ainda nem aproveitamos as potencialidades do governo eletrônico (e-gov) e já estamos vivendo a nova era do governo com mobilidade (m-gov). Já imaginaram a diferença em relacionamento se o cidadão comum pudesse marcar consulta em um Posto de Saúde por telefone e recebesse um lembrete por mensagem SMS? Ou se os pais fossem avisados pelo celular que teve início o período de matrícula de seus filhos nas escolas públicas e que só com um clique no celular é possível resolver a questão? Ou ainda se pudesse saber com uma simples consulta pelo celular qual o status de seu processo na Prefeitura? A esses serviços o Instituto CONIP chama de Cidadania Móvel (M-gov) e sintetiza a idéia em “serviço público que cabe no bolso”.

Tecnologias para tanto já estão disponíveis. Se a relação com o governo já pode acontecer por meio do mundo eletrônico, atualmente grande parte da população se vê excluída do processo e com o acesso aos serviços do governo dificultado. Ousar na forma de entregar serviços públicos trata-se de cidadania. E ela toma forma por meio de serviços como os já disponíveis no Paraná, Pará ou Bahia, nos quais o celular é usado para avisar o cidadão de oportunidades de trabalho, enviar alertas ao agricultor sobre geadas e até fornecer informações sobre teatro ou blocos carnavalescos aos turistas. Outras aplicações já funcionam e estão cadastradas no site www.conip.org.br/mgov como Banco de Iniciativas.

Estar atento às inovações tem a ver com a existência do Instituto CONIP – Conhecimento, Inovação e Práticas de TI (Tecnologia da Informação) na gestão pública, organização sem fins lucrativos cujo objetivo é ser um observatório das práticas bem sucedidas de uso da tecnologia da informação na gestão pública em todo o Brasil. Ele congrega em seu conselho importantes pessoas com história na informática pública e que têm em comum a missão do instituto: desenvolver e disseminar conhecimento e práticas no uso inovador e alternativo das tecnologias de informação e comunicação com ênfase em democracia, cidadania e eficiência do serviço público.

P.S.: a propósito, a cardiologista me garantiu: “para sua idade até que você está muito bem”. Não sei se presto atenção ao início da frase ou ao fim. Bem, estou de saída para ver um clássico no Estádio do Morumbi. Não seria interessante se eu tivesse agora, via celular, indicações de congestionamentos ou alerta sobre temporais típicos de São Paulo e probabilidade de enchentes? Como não existe o serviço, vou preparado para emoções fortes, confiando no parecer da cardiologista.

Vagner Diniz é presidente do Instituto Conip – Conhecimento, Inovação e Práticas de TI na gestão pública.