Cada vez mais brasileiros recorrem ao crédito

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Houve significativa expansão das operações de crédito em 2006. O volume total de empréstimos do sistema financeiro saltou de R$ 607 bilhões em dezembro de 2005 para R$ 732,8 bilhões em dezembro de 2006, o que representou um crescimento de 20,7%. Esta taxa de variação ficou ligeiramente acima daquela projetada pelas instituições financeiras que apontavam para um crescimento de 19% na carteira total de crédito, segundo a pesquisa de projeções da Febraban de dezembro de 2006. Como proporção do PIB, o volume de crédito atingiu o maior patamar desde abril de 1996, ao ficar em 34,3% do PIB. Em novembro do ano passado, a relação crédito / PIB havia ficado em 33,7% e em dezembro de 2005 estava em 31,2%.

Por modalidade de crédito para pessoa jurídica, podemos destacar a retração nas operações de hot money (-22,6% entre dezembro de 2006 e dezembro de 2005) e desconto de promissórias (-27,3%) e ampliação das operações de capital de giro (31,8%), financiamento imobiliário (21,6%) e aquisição de bens (21%).

Por modalidade de crédito para pessoa física, vale destacar a expansão ocorrida nas seguintes modalidades de empréstimo: crédito pessoal que cresceu 25,9% entre dezembro de 2006 e dezembro de 2005; financiamento imobiliário que aumentou 26,8% no referido período e aquisição de veículos que teve ampliação de 25,2% em 2006. Por outro lado, podemos destacar o menor ritmo de crescimento das operações com cheque especial que aumentaram apenas 7,2% no ano e que, inclusive, sofreram retração de 8% no último trimestre de 2006.

Taxas de juros – As taxas de juros cobradas dos empréstimos bancários sofreram reduções em 2006, acompanhando a trajetória de queda da taxa básica de juros e colaborando para impulsionar o volume de crédito na economia. Em 2006, o Bacen cortou a taxa Selic em oito ocasiões e promoveu uma diminuição de 4,75 pontos percentuais na taxa básica de juros que passou de 18% em dezembro de 2005 para 13,25% em dezembro de 2006.

Quanto às taxas de juros cobradas nos empréstimos, estas passaram de 45,9% em dezembro de 2005 para 39,8% em dezembro de 2006, ou seja, houve uma redução de 6,1 pontos percentuais. Houve maior redução nas taxas de juros cobradas nas operações de crédito para pessoa física que passaram de 59,3% para 52,1% no período ou de 7,2 pontos percentuais. Já as taxas de juros cobradas nas operações de crédito para pessoa jurídica passaram de 31,7% para 26,2%, ou seja, houve diminuição de 5,5 pontos percentuais.

Prazos e inadimplência – Além da expansão do volume de crédito na economia e da redução das taxas de juros dos empréstimos, também podemos destacar a ampliação dos prazos médios das operações de empréstimo tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica. No caso de pessoa jurídica, o prazo médio (em dias corridos) passou de 218 dias em dezembro de 2005 para 228 dias em dezembro de 2006. Quanto às operações de empréstimo para pessoa física, o prazo médio foi de 319 dias para 364 dias no período.

Ao mesmo tempo em que houve maior expansão do volume de crédito e dos prazos envolvidos nas operações, também houve ampliação da inadimplência. Em dezembro de 2006, a inadimplência atingiu 5% da carteira total de crédito do sistema financeiro em comparação a 4,2% em dezembro de 2005. Por modalidade, a inadimplência das pessoas físicas ficou em 7,6% e de pessoa jurídica ficou em 2,7% em comparação a 6,7% e 2% em dezembro de 2005, respectivamente. O aumento da inadimplência no período pode ser explicado, entre outros fatores, pela expansão mais acelerada das operações de crédito na economia em comparação ao aumento da renda.