Caminhos para elevar a taxa de inovação

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A taxa de inovação da indústria brasileira aumentou de 31,5% entre 1998 e 2000, para 33,3% entre 2001 e 2003. Entretanto, esse aumento veio acompanhado de uma redução de 12% das atividades consideradas realmente inovadoras, sobretudo na realização de pesquisa e desenvolvimento (P&D) interna. Embora o número de empresas inovadoras tenha passado de 22.698, em 2000, para 28.036 em 2003, esse aumento não se refletiu na criação de novos produtos ou processos tecnológicos, o que expõe a vulnerabilidade da indústria nacional para competir no mercado mundial no médio e longo prazos.

Os dados, apresentados ontem (25/10), na sede do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) em Brasília, pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) são resultados do estudo “Inovação Tecnológica no Brasil – A indústria em busca da competitividade global”, que analisou informações de 84.262 empresas, distribuídas em 91 atividades industriais, da última Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), do IBGE. Com base nele, a Anpei apresentou quatro macro-ações que podem ajudar a criar as bases para um crescimento sustentado da competitividade tecnológica no Brasil:

Mobilização – A primeira delas é dar início a um movimento nacional para mobilizar e sensibilizar as empresas, visando o engajamento no processo de mudança de patamar tecnológico, tendo em vista que, no estudo, 79,3% delas atribuíram baixa a importância à realização de P&D interna. Em 2000, 24,2% consideravam altamente importante a realização de P&D interna; em 2003, essa porcentagem caiu para 17,2%.

“As empresas precisam se conscientizar que a inovação tecnológica, sobretudo a realização de P&D interna, é um elemento essencial na estratégia competitiva”, afirma o presidente da Anpei, Hugo Borelli Resende. Sobre este aspecto, ressalta o executivo, o estudo mostra que as empresas inovadoras faturaram, em média, mais do que as menos inovadoras. “O conjunto das 20 atividades industriais com maior taxa de inovação foi responsável por 23,6% da receita líquida de vendas de toda a indústria brasileira em 2003”, destaca.

Subvenção – Disponibilizar recursos subvencionados em volume comparável ao dos países que mais investem em tecnologia e de baixo custo (financiamentos com taxas de juros próximas às praticadas pelo mercado internacional) é outra medida considerada essencial para a capacitação tecnológica interna das empresas e para o aumento da competitividade delas no mercado mundial. “Países como Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul, por exemplo, investem cerca de 2,5% do PIB, acima da média da OCDE, de 2,2%”, ressalta.

No ranking dos BRICs, o Brasil que investiu US$ 12,2 bilhões em P&D, foi ultrapassado e muito pela China e Índia, cujos investimentos foram, respectivamente, de US$ 84,6 e US$ 20,7. Para competir com essas potências emergentes será necessário reduzir minimamente os custos das pesquisas. “Os incentivos fiscais, somados à subvenção, são importantíssimo para tentarmos diminuir essa diferença”, explica.

Tecnologias emergentes – De acordo com a Anpei, investir em um programa nacional de desenvolvimento científico e tecnológico voltado às tecnologias emergentes (nanotecnologia, materiais compósitos, biotecnologia, etc) será também essencial para gerar diferencial competitivo no mercado mundial nos próximos 10 ou 15 anos. “A Coréia do Sul, por exemplo, que pretende ser o centro de P&D da Ásia e da região do Pacífico em 2015, investe um volume expressivo em tecnologias portadoras do futuro”, lembra o presidente da associação.

Sistema de monitoramento – A última proposta da Anpei é a criação de um sistema permanente de monitoramento e acompanhamento da evolução dessas três ações, por meio de indicadores de resultado, estabelecidos em comum acordo com o setor privado. O objetivo é possibilitar ajustes das ações empreendidas. “É evidente que só a implementação dessas ações não será suficiente para mudar o quadro atual, porém, elas são essenciais para criar uma base sustentável e garantir o sucesso de ações futuras de longo prazo”, finaliza o presidente da Anpei.