Cartão de crédito é soberano, enquanto PIX engatinha

IDid divulga estudo que aponta os meios de pagamento mais aceitos pelos lojistas on-line

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Gastão Mattos, líder da IDid no Brasil
Gastão Mattos, líder da IDid no Brasil

O cartão de crédito é o meio de pagamento mais aceito pelos lojistas, com 98,3%, seguido pelo boleto bancário, com 75%. Em terceiro lugar, estão as wallets, com 50% e, em quarto, o débito, com 38,3% (somando o método por bandeira e banco). Apenas 16,7% dos estabelecimentos avaliados oferecem o PIX como forma de pagamento, menos da metade do percentual de aceitação do débito. Os 10 lojistas que aceitam PIX fazem parte dos segmentos de lojas de departamento, companhias áreas, moda, alimentação, pets e eletrônicos. As informações são do estudo realizado pela GMattos, consultoria focada em e-commerce e meios de pagamento, encomendado pela IDid, startup de autenticação de pagamentos, que analisou 60 dos maiores players de vendas on-line, entre 11 e 16 de janeiro de 2021.

O cartão de crédito é a forma preferida pelos lojistas devido a autorização em duas fases (pré-autorização e captura), ideal para a operação online, já que permite a confirmação do estoque e a análise de risco no ato da compra. Também é a preferida pelos consumidores (80%) e possui alta taxa de conversão (70%), com chargeback médio de 1,6% no Brasil – prejuízo para o lojista. Por isso, requer o uso de sistemas antifraude, que geram custo adicional para o estabelecimento, chegando a 0,5% da receita. Além disso, o volume de revisão manual das transações pode atingir 15%. Os boletos estão em 2º lugar na aceitação, pois ser um meio de pagamento bastante conhecido e com capacidade de inclusão para consumidores não bancarizados ou sem cartões de crédito. Entretanto, a confirmação do pagamento chega na loja após 48 horas ou mais, impactando o estoque. Apenas 10% das compras realizadas nesta modalidade são efetivadas.

As wallets (50%) apresentam um crescimento significativo, ainda que esperado, principalmente em função da pandemia, por sua comodidade e característica de operação sem contato no mundo físico. Em 2018, esta modalidade de pagamento atingia 16% dos pagamentos realizados no mundo físico e 36% no comércio eletrônico, de acordo com levantamento da consultoria Bain. No caso do débito (38,3%), a modalidade direto com bandeira apresentou aceitação de 18,3% entre os lojistas analisados e 26,7% em débito com integração direta com os bancos, totalizando os 38,3%. O pagamento em débito possui 30% de taxa de conversão média (3 em cada 10 tentativas), devido ao fluxo transacional em que a autenticação do consumidor é realizada no ambiente do banco. Com o uso da tecnologia 3DS 2.0 a taxa sobre para 40%, mas ainda há complexidade na integração entre bancos e lojistas. Em soma, a categoria débito representa 10% das vendas efetivadas.

O recém-lançado PIX (16,7%) ainda não atinge a amplitude esperada no comércio eletrônico, devido às dúvidas sobre a taxação para os lojistas – que deve ser entre 0,5% e 0,9% – além da necessidade de uma integração tecnológica mais cuidadosa que inclua a confirmação da disponibilidade de estoque e análise antifraude para confirmação do pagamento; diferentemente do uso da tecnologia para transferência bancária, na qual a adesão superou as expectativas.

Para Gastão Mattos, líder da IDid no Brasil e especialista em e-commerce e meios de pagamento, “o PIX chegou com uma proposta de valor bem clara para os consumidores, com disponibilidade 24 x 7 e sem custos para cadastramento e liquidação. Já para lojistas, os mesmos benefícios não conseguem compensar pontos de dúvida ou desafios. A precificação para recebimento nesta modalidade não está totalmente definida pelos agentes liquidantes, sendo que a referência existente por parte de alguns bancos, pela cobrança de 1,6%, não parece ser tão atrativa, já que grandes lojas pagam menos do que isso para aceitação de cartões de débito”, explica.

Outro ponto de atenção para lojistas é a inserção do PIX nos fluxos existentes de pagamento, com necessidades específicas de tratamento, tanto em compras presenciais como virtuais. “O PIX é uma nova peça a ser encaixada em um quebra-cabeças já existente, que é o fluxo e processo para gestão de vendas. Ocorre que, a despeito do potencial transformador e positivo desta nova peça, o encaixe adequado necessitará de ajustes nas peças antigas e já existentes. Sem isso, não será possível o uso adequado do PIX e usufruto de seus potenciais benefícios. Acredito que precificação e integração vão definir a velocidade de penetração do PIX no mercado, especialmente no que se refere ao seu uso no fluxo de vendas e consequentemente, o impacto na cadeia de valor existente (bandeiras, emissores e adquirentes) será definido”, conclui Mattos.