CDO, o gestor da cidade de dados

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A quantidade de dados produzidos hoje em dia é cada vez maior, seja ele originado por empresas ou pessoas. Bem como há uma variedade maior de locais onde organizações e indivíduos têm acesso a tais informações. Com a tão esperada Internet das Coisas, a situação só tende a atingir uma proporção ainda maior. “Ela (Internet das Coisas), irá redefinir a forma como as empresas vão se comportar, pois já está criando um grande impacto de dados”, explicou Mark Johnson, CEO da Gavroshe, em sua palestra “Small Data Management in the Big Data Era”, durante a IV Conferência Internacional em Qualidade da Informação da Qibras, realizado dia 09 de setembro, no Hotel Maksoud Plaza. 
Ou seja, se atualmente pode ser considerado um problema, no futuro será pior. É por essa razão que Johnson ressalta o quão importante é as empresas passarem a pensar mais no big data, assim como políticas e técnicas voltadas a isso. O executivo ainda comparou essa quantidade excessiva de dados como uma grande cidade, “em que os dados hoje são muito densos, com muitas qualidades, crescendo continuamente”. Já que esses conteúdos vêm de maneiras mais desestruturadas, originadas de fontes como as redes sócias, em formas variadas (mensagem, áudio e vídeo). “Cada vez mais, esses dados vêm para satisfazer a experiência do cliente”, acrescentou. 
Então, quando uma empresa pensa em cuidar desses dados, como fazer? “O importante é saber estudara forma como o big data pode ser utilizada da melhor forma”, esclarece o CEO. Pensando nessa era como uma grande metrópole, tal qual Johnson havia exemplificado, o prefeito dela seria o Chief Data Officer. O CDO é um cargo ainda novo nas empresas, entrando para o time dos Cs de uma organização, junto com o CEO, CIO, CMO, entre outros. “Ele é o responsável por gerenciar aspectos, garantindo que os dados sejam unificados de forma correta, para que a empresa tenha os insights certos”, apresentou Genia Neushloss, co-fundadora da Gavroshe, e que também esteve no evento da Qibras, com a palestra “Enablig the Office of the Chief Data Officer”.
Em outras palavras, o CDO será o profissional ativo que cuidará das informações que chegam à empresa. Assim, faz parte, entre as suas funções, definir as políticas e princípios dos dados, detalhando quais são os conteúdos que serão utilizados, como serão trabalhados e como será a melhor forma de obtê-los. “Ter um profissional ativo que realiza o gerenciamento de dados é importante, porque há dados em todos os lugares, mas é preciso ter acesso àqueles que estão certos de acordo com a necessidade de um momento. E o CDO fará isso”, disse a executiva. “Ele garantirá que o dado estará correto, como também a qualidade desse dado.” Ela revelou que são quatro os pilares do trabalho de um Chief Data Officer: governança de dados; centro de análise competitiva; administração de dados; e centro de desenvolvimento de recursos de dados.
Professor do Massachusetts Institute of Technology, MIT, e um dos primeiros a criar estudos e conceitos sobre big data, Richard Wang também ressaltou, durante a conferência, que o conceito de CDO ainda é novo, por isso poucas empresas possuem um profissional ocupando esse cargo e quando possuem, ele não possui esse nome.  Por outro lado, além das empresas privadas, no Estados Unidos, organizações do governo também estão procurando implementar este cargo em suas estruturas, assim como polícias estaduais e o exército. “Não posso dizer se no futuro, daqui cinco anos, os CDOs irão existir, mas sei que hoje as empresas precisam ter a gestão da qualidade de dados e ele que é capaz de fornecer isso”, apontou Wang.
O professor ainda explicou que há três camadas para quem o Chief Data Officer irá se reportar: primeiro para o CEO e o COO; em seguida, para CIO, CMO e CRO; e, por último, para a sua própria área. “Este é um cargo que está envolvido em todas as áreas da empresa, já que todos trabalham com a qualidade de dados.” Para quem não possui tal profissional em sua organização corre, ainda, o risco de não ter controle dos dados que tem acesso e nem nos que já possui. “Quando não há uma pessoa que cuide dos dados, a empresa pode sofrer com outras pessoas tendo o acesso à suas informações. É a situação de ‘alguém cavando o seu quintal'”, alerta.