Cliente brasileiro está otimista

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O consumidor brasileiro está mais otimista, mas ainda se mostra cauteloso na hora de fazer previsões para a economia do País. Essa é a principal conclusão da Sondagem de Expectativas do Consumidor, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A pesquisa, que vem sendo feita mensalmente desde outubro de 2002 e foi realizada por telefone com 1.444 chefes de domicílio em 12 capitais brasileiras. O resultado confirma a tendência registrada nos últimos meses. “Há uma recuperação do otimismo, mas não detectamos euforia”, explica Aloísio Campelo, coordenador do Núcleo de Pesquisas da FGV.
Em outubro de 2004, 9,8% dos entrevistados consideraram a situação econômica atual do do País como boa. No mesmo período de 2003, eram apenas 4,7%. A queda na avaliação negativa também demonstra que o otimismo vem ganhando terreno. Na última pesquisa, 45,4% disseram que a situação econômica era ruim. No ano passado, a porcentagem de insatisfeitos era bem mais alta, 68,3%.
Quando a comparação é com os últimos seis meses, os dados são menos claros. A parcela de consumidores que detectaram uma melhora na situação econômica do País de maio até agora foi de 17,2% dos entrevistados. Por outro lado, 21,4% opinaram que a economia piorou.
Os pesquisadores explicam que a diferença entre a proporção de consumidores que acham que a situação está melhor e a dos que consideram que a economia vai mal – o chamado saldo – é o indicador mais importante, que vem indicando consistente recuperação do nível de confiança do consumidor brasileiro.
A situação econômica da família no momento está boa para 13,5% e ruim para 25,4% dos entrevistados. “O saldo de -11,9 pontos percentuais entre os dois extremos é o melhor resultado desde janeiro deste ano e representa um avanço em relação a outubro de 2002 e 2003”, salienta Campelo.
A sondagem também aponta o grau de otimismo do consumidor em relação ao futuro. A confiança avançou pelo quarto mês consecutivo. A parcela de entrevistados que aposta na melhora da situação econômica nos próximos seis meses aumentou de 44,6% em setembro para 45,8% em outubro. Mas, com o pé no freio, 48,9% dos entrevistados acham que as compras de bens de alto valor serão menores nos próximos seis meses, se comparadas ao período maio/outubro.
“Esses dados são muito úteis para prever, por exemplo, o consumo de bens duráveis”, observa o professor da Escola de Pós-graduação da FGV, Marco Antônio Bonomo, chamando atenção para o fato de a série histórica de dados ter apenas dois anos. “Nos Estados Unidos, onde esse tipo de dado é coletado desde os anos 50, as sondagens de confiança do consumidor são amplamente usadas para previsão de gastos e até para prever o PIB (Produto Interno Bruto)”, comenta ele.