Confiança do consumidor sobe com avanço da vacinação

Centro-Oeste do país obtém o melhor indicador de otimismo por conta do crescimento do agronegócio

0
25
Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo
Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo

O Índice Nacional de Confiança (INC) de julho, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), foi de 69 para 73 pontos, o que demonstra que o brasileiro já consegue enxergar um futuro melhor para a economia. Este foi o melhor resultado desde março, quando o indicador registrou 76 pontos. No entanto, o consumidor ainda permanece cauteloso, uma vez que o INC ainda está no campo pessimista (abaixo de 100 pontos).

De acordo com análise feita por economistas da ACSP, a retomada aos poucos da confiança do consumidor está sendo levemente impulsionada pelo aumento de renda proporcionada pela volta do auxílio emergencial – mesmo que de menor montante e de alcance mais limitado à população. Também, pela maior geração de empregos, disponibilidade de crédito e, sobretudo, pelo avanço da vacinação contra a Covid-19.

O Sul do país é a única região em que o índice ficou estagnado em 66 pontos em relação a junho. Todas as outras partes do Brasil registraram aumento da confiança. O destaque positivo fica para o Centro-Oeste que saltou de 83 para 91 pontos. Neste caso, justifica-se esse melhor número pela ascensão do agronegócio que, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por conta das exportações dos produtos, cresceu 25% em junho deste ano comparado com o mesmo período de 2020.

No geral, também diminuiu a percepção negativa das famílias em relação à situação financeira e de emprego atuais, enquanto melhoraram as expectativas futuras sobre essas variáveis, principalmente em torno da segurança no trabalho. Metade dos entrevistados acreditam que, nos próximos seis meses, o bolso de cada um vai ficar mais cheio. Além disso, na projeção que fizeram, o percentual de quem acredita que pessoas próximas ou conhecidas venham a perder o emprego nos próximos seis meses, em decorrência da economia, caiu de 42% para 37% em julho.

Também aumentou a disposição do consumidor em comprar itens de maior valor, como carro e casa e bens duráveis tais quais geladeira e fogão. “Com o maior controle da pandemia, cresceu a mobilidade da população de forma geral e, consequentemente, a segurança para fazer compras e planejar a aquisição de bens”, disse Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo.

A pesquisa INC vai de 0 a 200 e mede a visão e a segurança da população em relação ao País, às finanças do brasileiro e prevê o comportamento destas pessoas na hora da compra. Os dados foram coletados com 1.670 entrevistados pertencentes a todas as classes sociais nas cinco regiões do Brasil.

Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP)
Recorte estadual do INC, o Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), de julho, obteve índices semelhantes ao da pesquisa nacional. O indicador em São Paulo foi de 65 em junho para 69 pontos neste mês, o que representa aumento de 6,2% em relação aos últimos 30 dias. Foram entrevistadas 892 pessoas na capital, região metropolitana, litoral e interior. A taxa de referência e a metodologia para mensurar a confiança do paulista seguem o mesmo critério do estudo nacional. Isso significa que o ICCP também vai de 0 a 200 e que foi aplicado o mesmo questionário do INC para os entrevistados no Estado de São Paulo.