Economia versus meio ambiente

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A Market Analysis, instituto de pesquisa, apresenta os resultados do estudo “Os Brasileiros Diante das Mudanças Climáticas – A Superação do Dilema Economia versus Meio Ambiente”. A pesquisa analisou um dos habituais questionamentos diante da evidência de alta sensibilidade à questão, propondo reflexão sobre o que ocorre quando o assunto é inserido como parte do conflito real entre cuidar do meio ambiente ou crescer mais economicamente. O debate sobre a viabilidade do modelo sustentável de desenvolvimento fica claro quando se expõe a questão de prioridade entre economia e o cuidado com a natureza. Este antagonismo captura o verdadeiro desafio com o qual consumidores, governos e empresas lidam diante do tema meio ambiente.


Segundo Fabian Echegaray, diretor da Market Analysis, mesmo quando provocados a pensar no peso relativo da preocupação ambiental perante outras questões de importância cotidiana, como desemprego ou inflação, há uma proporção substancial de consumidores que colocam o meio ambiente como questão central. “Esta proporção revela uma opinião pública dividida ao meio, que alimenta a tensão entre o crescimento e o ambientalismo”, afirma. “Mesmo em circunstâncias favoráveis a um discurso de relativização do peso ambiental sobre o econômico, 47% dos entrevistados admitem preocupação privilegiada pela sustentabilidade acima de benefícios de impacto material, como mais emprego e menos inflação”, acrescenta.


Outra mostra da existência de uma clara divisão de opiniões surge ao avaliar as implicações econômicas de um ajuste ambiental na sociedade. Quando perguntados sobre a possibilidade de a economia sofrer um desgaste ao tentar cortar as emissões de gases, 49% se identificaram com essa opção, revelando orientações conservadoras, enquanto 44% a questionaram.


Se existe uma crença ambientalista relativamente imune aos apelos de crescimento econômico entre parte dos brasileiros, isso ocorre também, como resultado da impressão que os atores econômicos ainda precisam fazer mais a respeito. Esta é a opinião de 40,4% dos entrevistados, que julgam as atitudes realizadas pelo empresariado não suficientes para assegurar a preservação do meio ambiente.


O problema do aquecimento global envolve dimensão financeira: quem deve pagar pela solução? O estudo revela que na visão dos brasileiros, a resposta predominante é que quem polui deve contribuir para neutralizar o impacto, porém com o comprometimento dos países ricos em financiarem esta ação. No Brasil é alto o senso de responsabilização moral (63%) – maior que nos outros integrantes da América Latina (média 59%) e da Europa (61%). Porém foi constatado que a adesão à opinião de que os países mais abastados (desenvolvidos) devem financiar esta ação é ainda maior (73%).