Época de maior acessibilidade

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O mundo mudou já há algum tempo. Aliás, ele continua mudando, e em tempos cada vez mais curtos – há quem diga que é diariamente. Nesse cenário, as pessoas não ficam imunes, com a transformação da forma de pensar, agir e, inclusive, consumir. Para o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, uma das principais transformações foi o surgimento da economia compartilhada. “Veio não só uma, como várias inovações em termos de modelo de negócio e que possibilitam o consumidor a fazer uma escolha diferente, ao qual ele não tinha acesso antes”, explica. Entre os exemplos estão o Uber e o Arbnb, que, de acordo com ele, permitiram uma nova realidade às pessoas que antes não pensavam, como a possibilidade de terem um carro de luxo, com motorista e conforto à sua disposição e a um custo baixo.
Com essa alternativa, o executivo comenta que muda o comportamento de consumo, pois faz com que as pessoas calculem e avaliem as opções que têm em mãos, para enfim tomarem uma decisão diferente do passado. “Nunca imaginei viajar para o exterior, porque achava tudo muito caro, agora eu consigo alugar um quarto, na casa de uma pessoa a um preço acessível”, exemplifica ele. Ou seja, a economia compartilhada trouxe ao consumidor uma acessibilidade de oportunidades.
Inclusive, acessibilidade é a palavra-chave neste novo momento do consumidor. Por conta da vida online e mobile, o público tem um conhecimento mais abrangente das situações ao seu redor. Dessa forma, é crescente seu interesse em saber como se comportam as empresas na produção de seus produtos e serviços, bem como a forma pela qual elas se portam com suas responsabilidades socioambientais. “É muito comum na Europa, nos supermercados, ter produtos Fair Trade, que são certificados por selos e atestam que não exploram mão de obras em países subdesenvolvidos, respeitam o trabalhador, pagam salários justos e etc.”, declara Borges.  Assim, quando um consumidor descobre que a empresa não se preocupa com sustentabilidade, não respeita seus funcionários ou mente sobre seus processos passa a não comprar mais dela.
Por mais que essa conscientização tenha aumentado – e muito, o executivo ressalta que essa informação ainda não é presente para todos os consumidores. Não é porque a Internet e os smartphones estejam presentes em quase a totalidade das pessoas, que elas irão se educar sobre tais questões. “Agora, aquele que procura buscar essas informações e tem certa sensibilidade específica para alguns vai passar a considerar outros critérios na priorização de seus gastos que não considerava no passado”, acrescenta. Ainda assim, os critérios de tradicionais de compra (qualidade, preço, nível de serviço, tempo de entrega, entre outros) vão continuar existindo. “Não é que eles deixam de ser relevantes, mas eles passam a concorrer com outros critérios.”
Critérios esses que vão depender também do fator sócio-econômico. Como Borges avalia, não adianta a empresa criar um produto mais sustentável, se seu preço for muito mais caro que o mercado, pois a pessoa não irá nem considerar a compra por falta de condições. Mesmo que haja aquela parcela do público que não se importa com o preço, se o produto aderir aos seus valores, mas essa não é uma realidade de todos ainda. “Eu diria que é difícil generalizar e dizer o que quer o novo consumidor. Acho que é mais fácil falarmos de nichos que surgem e representam mercados e de consumidores que precisam ser atendidos”, pontua.