Estudo da ABES revela indício de pirataria

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A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) divulgou estudo realizado com compradores de equipamentos do projeto “Computador Para Todos” do Governo Federal. O levantamento, conduzido pelo instituto de pesquisa Ipsos, visa analisar alguns dos objetivos do programa de inclusão digital. O estudo conclui que 73% dos usuários desinstalaram o sistema operacional de código aberto, pré-instalado nos computadores do programa federal, substituindo-o por outro, de código proprietário. Segundo os entrevistados, a mudança ocorreu, em média, 31 dias após a compra do equipamento.

Segundo o levantamento 47% dos usuários afirmaram que a troca foi realizada sem nenhum tipo de pagamento – por intermédio de amigos, parentes ou técnicos – enquanto 26% confirmaram um pagamento adicional médio de R$ 137,00, pela compra e instalação do novo sistema operacional, uma forte evidência de utilização de cópias ilegais.

De acordo com o presidente da entidade, Jorge Sukarie, o governo federal deveria rever a exigência de venda de computador com um único tipo de sistema operacional. “A pesquisa constata, de forma plena, que o sistema operacional que vem pré-instalado no equipamento é substituído após a compra. O governo federal deveria permitir que o usuário tivesse oportunidade de escolher o sistema operacional que equipa o “Computador para Todos”, mesmo que isto implique valores diferentes no preço final do computador”. Para Jorge, essa é a melhor maneira de garantir o perfeito funcionamento do computador, além de garantir que o usuário tenha assistência técnica permanente e de impedir o aumento da pirataria de software.

“A ABES, em diversas oportunidades, já havia se manifestado no sentido de que a oferta de uma solução única, cerceando a liberdade de escolha do sistema operacional por parte do usuário, acabaria induzindo e estimulando ao grave crime de pirataria de software”, explica o presidente da entidade.

Outra constatação do levantamento é que o programa “Computador para Todos” tem atingido seu objetivo de aumentar a venda de computadores à população menos favorecida, por meio da redução de preço e facilidade de pagamento. Os dados mostram que quase 70% dos entrevistados se enquadravam nas classes C e D e 86% adquiriram seu primeiro computador. “O programa tem muitos elementos positivos, mas com alguns resultados da pesquisa e o volume de máquinas comercializadas – 265.000 unidades vendidas no primeiro semestre de 2006 segundo dados recentemente divulgados – talvez seja o momento de revisar e ajustar alguns parâmetros do programa, tais como prazo de financiamento”, explica Sukarie.