Fortalecimento de uma cultura

0
12
Em meio a transformação digital, as empresas correm um sério perigo: olhar apenas para adoção de novas soluções, se esquecendo dos colaboradores. Um alerta que permeou a apresentação de Daniela Gonçalves, consultora da Veraque Treinamento e Desenvolvimento, no Meeting ClienteSA – Bench & Transformação, ao abordar o atual cenário de mudanças pelo ângulo do colaborador interno. Ou como ela descreveu como tema, “um olhar de RH em meio a ecossistemas de transformação digital”.
Ela abriu sua participação indagando: “o que estamos escutando o tempo todo?” De forma quase ininterrupta, se fala da transformação digital, e Daniela questiona: será que as pessoas estão preparadas para os propósitos das organizações em relação a isso? Ela citou, então, um dado de uma pesquisa da Oxford: em no máximo 20 anos, cerca de 47% dos empregos atuais terão desaparecido. Sendo que o alento em relação a isso é saber que a transformação fatalmente trará novas especialidades buscadas no mercado. “Por isso precisamos explorar novos campos de atuação”, disse. A executiva assevera que estamos falando da sociedade 5.0, na qual nos cabe descobrir como utilizaremos toda a tecnologia a nosso favor. Ela compreende que está surgindo o que chama de Sociedade Super Interligente. Esta viria a promover três valores principais: qualidade de vida, inclusão e sustentabilidade.
No entender da consultora, enquanto na era industrial o modelo era linear, na era digital há a multiplicidade de respostas. “Passou a existir – em seu entender – a gestão de complexidades.” E lembrou, aos participantes, o surgimento do chamado mundo “VUCA” – anagrama de volatility, Uncertainty, complexity e ambiguity. E é de caráter mesmo global, porque “hoje o que acontece em qualquer parte do planeta nos afeta de forma significativa”. Dentro disso, a consultora indaga em quais dados iremos confiar nesse cenário. E afirma que a chave é estarmos atentos, cuidando tanto dos cliente externos quanto do interno. Ela passou a abordar, então, a importância da dedicação da empresa à “employee experience”. Seja por meio do atualizado endomarketing, pesquisas internas e todos os caminhos que cheguem a uma nova meta: contar agora com pessoas que saibam mais “como pensar” do que “o que pensar”.
Para exemplificar, ela chamou a atenção para uma incongruência detectada em pesquisas: em cada 10 profissionais contratados por aspectos técnicos nove deles são demitidos por detalhes comportamentais. “Os maus resultados vêm do fato de se subestimar a necessidade de contratar gente com perfil mais próximo ao da organização”, explicou. Mas sempre se levando em conta as novas potencialidades exigidas pela era digital, que são maior flexibilidade, resiliência e capacidade de adaptação, entre outras.
Como recomendações ela apontou a importância de que se receba, inspire, saiba falar com e escutar o novo profissional, desenvolver, agradecer, celebrar e compartilhar. Entre as novas experiências nessa busca de engajamento interno, ela mencionou o exemplo de uma empresa aérea que levou, como se fossem consumidores da organização, estagiários para uma viagem a bordo do avião de São Paulo para o Rio de Janeiro. Para muitos deles, a primeira desse tipo na vida.