ICC registra alta de 2,2% em agosto

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Apesar do mercado estar em constante mudança, as pessoas parecem que estão cada vez mais confiantes na economia do País. O reflexo disso foi que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado em conjunto pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), na região Metropolitana de São Paulo, registrou aumento de 2,2% em agosto, acompanhando a tendência verificada em julho deste ano, quando a alta atingiu 0,9%. O índice passou de 118,7 pontos para 121,3 pontos – numa escala de 0 a 200, que indica pessimismo abaixo de 100 e otimismo acima desse patamar.

A elevação do ICC neste mês foi causada pela melhoria das expectativas do consumidor quanto ao futuro, que teve alta de 4,9% em relação à verificada em julho, alcançando 138,9 pontos, após queda de 0,4% no mês passado. O resultado começa a se aproximar do recorde histórico em relação à situação de longo prazo, apurado em janeiro de 1995, período de euforia com o recém lançado Plano Real. De acordo com a assessoria econômica da entidade, resultados mais consistentes e positivos de indicadores econômicos sinalizam para o crescimento do mercado interno, melhoria da renda e do nível de emprego e, consequentemente, criam perspectivas mais claras para o futuro próximo.

A alta poderia ser maior

O aumento do ICC em agosto, porém, não foi maior por causa da queda de 3,4% na avaliação do consumidor ainda em relação ao momento presente. O indicador da situação atual ficou abaixo dos 100, em 94,8 pontos, caracterizando pessimismo e repetindo o desempenho de junho e julho deste ano. Segundo os economistas da Fecomercio, turbulências, como denúncias envolvendo autoridades da área econômica do governo no início de agosto, podem influenciar negativamente e neutralizar os bons resultados apurados na economia.

Os consumidores com renda superior a 10 salários mínimos mostraram-se menos otimistas neste mês em relação ao momento presente, com baixa de 13,6% em comparação ao indicador de julho. No resultado geral, o ICC desta faixa de renda teve queda de 4,2%, resultado contrário ao mês passado, de alta de 1,3%. Apesar disso, essa faixa ainda registra o maior otimismo, com 132,9 pontos, entre os três segmentos (renda, sexo e idade) analisados na
pesquisa.

As mulheres também demostraram apreensão em relação ao momento presente, com baixa de 7,8%. O mesmo ocorreu com os consumidores acima de 35 anos, cujo índice da expectativa da situação atual teve baixa de 8,2%, atingindo o mais baixo patamar pessimista em agosto, com 85,2 pontos. Por outro lado, o ICC teve aumento de 5,5% entre as pessoas com renda inferior a 10 salários mínimos, mais sensíveis à melhoria de emprego e renda.

De acordo com os economistas da Fecomercio, o ICC deverá manter o ritmo de crescimento em setembro. A continuidade de resultados positivos de indicadores econômicos deverá contribuir para alta do indicador, tanto das expectativas dos consumidores para os próximos meses, quanto da avaliação do momento atual.
Mudança de Metodologia

Em julho deste ano, a Fecomercio, em parceria com a FGV, implementou
importante alteração no cálculo do ICC, no sentido de melhoria e maior precisão técnica de seus resultados. Assim, o índice mensal passou a ser calculado com base em quatro tomadas semanais, sendo as três primeiras com cerca de 400 entrevistas e a última com, no mínimo, 900 entrevistas, esta feita sempre na primeira sexta-feira de cada mês corrente. Esse procedimento, além de aumentar significativamente o grau de precisão dos resultados, pois computará mais de 2000 questionários por mês, permite neutralizar os efeitos chamados “pontuais”, ou seja, que um único evento possa ter influência decisiva sobre os dados finais.