Legado não é barreira

Como levar efetivamente a transformação digital ao varejo

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Autor: Vitor Sousa

Se ainda havia alguma dúvida em relação à necessidade de o varejo embarcar na jornada de transformação digital e aderir ao e-commerce, a pandemia acabou com qualquer hesitação. O comércio por meios digitais mudou de patamar: as pessoas foram obrigadas a digitalizar seus hábitos de consumo e as empresas tiveram que se movimentar rapidamente para sobreviver.

E o que significa essa jornada de transformação digital? É você ter seus principais produtos e serviços disponíveis para que seus clientes possam consumi-los de forma digital, simples, rápida e diretamente, pelo canal que for mais conveniente para ele – seja por um site, um app, um chatbot ou ainda pela loja física

Essa oferta ampla é fundamental para se estabelecer uma estratégia omnichannel, onde a empresa dispõe de múltiplos canais que se comunicam e se complementam. O desafio para os varejistas é grande.

A maior dificuldade é que os dados core – aqueles contidos nos sistemas onde rodam os principais processos das empresas – têm que ser destravados. As empresas precisam restabelecer esses acessos de forma simples e barata. Mas se os sistemas não estiverem preparados para esse cenário, a jornada digital é inviabilizada? Não.

Como interligar os dados core?

Para que a integração de tecnologias seja possível e o dado trafegue por entre sistemas core e de apoio, sejam novos ou legados, de acordo com a necessidade do negócio, é necessária a ajuda de um terceiro elemento: uma camada digital, que vai funcionar como um “benjamin” e conectar todas as tecnologias. É o que o Gartner chamada de Hybrid Integration Platform, ou HIP, uma revolução nos processos de integração de sistemas.

Vou citar algumas das transformações possíveis para o varejo:

– Gestão integrada de Pedidos: com uma HIP, eu conecto e equalizo o módulo de pedidos a todos os canais, permitindo uma visão integrada dos pedidos e solicitações em um sistema conhecido como OMS (Order Management System), independentemente de onde a compra tenha sido originada . E os próprios sistemas – sejam eles os ERPs, os PDVs , um CRM ou uma plataforma de e-commerce já existente – podem “se tornar o OMS”, sem a necessidade de novos investimentos;

– Estoques 100% conectados: a camada digital também ajuda a administrar o controle de estoques, outra questão delicada para o varejo. Nesse cenário de múltiplos canais, ter os estoques 100% integrados é condição indispensável para o sucesso da operação, evitando problemas com o faturamento antecipado de pedidos, produtos faltantes e erros na entrega.

– Operação Automatizada: Com a integração, todo o fluxo operacional pode ser automatizado, desde a geração do pedido nos diversos canais até o acompanhamento do delivery na casa do consumidor. As automações previnem erros e omissões operacionais como, por exemplo, cobrar itens que não foram enviados para os clientes. Neste cenário, a transação de pagamento somente é concluída quando o produto já está devidamente separado para o cliente que fez o pedido. Assim, ele é cobrado pelo que realmente está sendo entregue, evitando outros processos operacionais;

– Loja física como centro de distribuição: a visão global permite aproveitar as lojas físicas e torná-las centros de distribuição. A solução mais comum hoje – a criação de um estoque centralizado e exclusivo para a operação virtual – pode funcionar bem para gigantes do varejo, mas é uma solução problemática para varejistas menores. Ao interligar seu estoque a esse sistema centralizado, o varejista ganha plena capacidade de ter sua operação online própria, com altos níveis de automação, diminuindo os custos operacionais e aproveitando as interfaces e sistemas já existentes. Por tudo isso, é uma estratégia viável financeira e operacionalmente, com ganhos de produtividade decorrente de os dados se conectarem rapidamente aos mais diversos sistemas;

– Melhoria no time to market: como os sistemas legados deixam de ser um impeditivo para a jornada digital e a abordagem omnichannel se torna uma realidade, os tempos de entrega ficam mais ágil e a concorrência com novos players, mais digitais e flexíveis, menos problemática.

Um mundo de oportunidades
Após os primeiros ganhos com essa operação, um mundo de oportunidades se abre, viabilizando às empresas a adoção das práticas modernas de interação, como market de contexto, programas de fidelidade, ofertas online, cupons, campanhas conjuntas com fabricantes, entre muitas outras, liberando recursos financeiros e humanos para que o foco seja o que realmente interessa: o cliente final. Mas isso dá assunto para outro artigo.

Vitor Sousa é sócio-fundador e COO da Digibee.