Mãos de ferro… com luvas de pelica

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Mãos de ferro em luvas de pelica, à La Margaret Tatcher parece ser a marca registrada da gestão feminina, segundo se observa por meio da performance de executivas mulheres em cargos de direção. O modelo provou ser eficaz e cresce o número de cargos ocupados por mulheres no mercado. Na hotelaria, isto já é fato e a rede Estanplaza ilustra bem a tendência. Cerca de quatro de suas nove unidades são comandadas por executivas, de diferentes idades.

Paula Perine, gerente geral do Estanplaza Funchal – Faria Lima, já em seu quinto ano na rede, explica o porquê do sucesso feminino na operação de hotéis. “Faz parte do universo feminino cuidar de várias coisas ao mesmo tempo, portanto, o dia a dia de um hotel para mulheres é menos complexo para administrar. Fora este detalhe, acredito na capacidade das mulheres de trabalhar em equipe e na sensibilidade em gerir pessoas. Mesmo na hora da venda – pois como gerente geral atuamos em todos os segmentos – um sorriso, uma palavra amável, habilidade, flexibilidade e um pouco de intuição fazem o diferencial feminino”, comenta. Paula iniciou a carreira em Hotelaria na rede Hilton, e atuou em todas as áreas, de operações a vendas, até vir a ocupar a função de gerente de atendimento do Estanplaza Funchal – Faria Lima, antes de assumir a gerência geral do hotel.

Elly Shimasaki tem verdadeira devoção pelo ato de servir e mimar os hóspedes, característica que herdou da hotelaria asiática, onde atuou por muitos anos, atendendo a príncipes, reis, artistas e todo tipo de gente famosa. No entanto, para Elly todo hóspede, seja ele quem for, é celebridade. “Hotelaria perfeita é aquela que observa detalhadamente as pessoas”, conclui sabiamente a gerente do Gran Estanconfor Itaim. Elly acredita na percepção e na inteligência emocional feminina e acha que muitas vezes estes predicados salvam situações de conflito no dia a dia de um hotel. No caso do Gran Estanconfor, a situação é ainda mais delicada, pois ali vivem famílias em regime de longa permanência, que fazem do hotel suas verdadeiras casas. “A maioria são empresários expatriados, transferidos de outro país para o Brasil e que precisam se instalar com suas famílias. Outros são divorciados, outros recém casados e alguns jovens que optaram por um modelo de residencial com serviços muito oportuno para quem vive sozinho e não abre mão do conforto. Mimar todos eles é minha função principal, e fazer com que se sintam especiais, sem exageros, mas com muita simplicidade e competência, é o que buscamos aqui “, explica Elly.

Este é também o desafio de Fernanda Godoy, que gerencia o Estanconfor Moema, estabelecimento também voltado ao segmento de longa permanência, com serviços hoteleiros. Fernanda lida também com hóspedes expatriados, tal como Elly Shimasaki. Seus hóspedes são executivos que buscam segurança e almejam encontrar um lar no hotel. Suas esposas encontram na equipe do hotel a família que deixaram no país de origem. “Acabamos por nos tornar verdadeiras babás de todas elas, o que fazemos com o maior carinho, já que nos apegamos a estas famílias, como sendo a grande família Estanconfor Moema”, comenta Fernanda. “Eles se apegam tanto, que mesmo já tendo se mudado para suas casas, antes de voltarem para seus países, passam algum tempo conosco para se despedir”, acrescenta entusiasmada. O modelo de hospedagem Estanconfor permite ouvir o cliente e fazer o que ele está pedindo, o que chamamos de gestão de preferências, já que ele irá passar muito tempo conosco. Isso é algo infinitamente mais fácil para a mulher gerir do que para o homem. Em nossas casas, nós mulheres gerimos as preferências de filhos e maridos, e isso já faz parte da nossa cultura”, comenta a gerente.

“É antagônico pensar em uma estrutura de concreto sendo gerida por alguém de saias e saltos, e ainda existe um certo preconceito pelo comando feminino nos negócios”, comenta Emili Ronconi, gerente geral do Estanplaza Berrini, a mais jovem de todas elas, com 26 anos. “Por ser mulher, e ainda por cima, bem jovem, tenho que mostrar mais resultados e conquistar a credibilidade, mas na Rede Estanplaza encontrei o ambiente necessário para me desenvolver e atuar profissionalmente, com liberdade e muita criatividade. O mais difícil é conciliar compromisso profissional com a vida familiar. Nós mulheres acabamos por ter dupla responsabilidade, tanto em casa quanto no trabalho. Há momentos em que jogo de cintura é fundamental, sobretudo nas reuniões com investidores, onde geralmente participam cerca de 20 deles, todos homens e lá estou eu, a única executiva”, comenta Emily. O fato é que, todas elas, Paula, Fernanda, Elly e Emily vem exercendo as funções com habilidade, fato comprovado pela boa ocupação dos estabelecimentos que gerenciam.