Marcas e mitos

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Luiz Fernando Lucas

Ao iniciarmos um empreendimento ou desenvolvermos um novo produto, em qualquer segmento da indústria e do comércio, é natural a preocupação com a visibilidade que tal iniciativa terá no curto, médio e longo prazos. É fundamental, para o empresário, posicionar seu negócio, ganhar competitividade e trabalhar para que determinada marca seja, de fato, reconhecida no mercado.

Outros empreendedores sentem necessidade de reformular seu negócio, para incrementar as vendas, fidelizar clientes e fazer frente a uma acirrada concorrência. Nesse sentido, há um sem número de ferramentas disponíveis no mercado, seja para novos ou antigos negócios, conforme a necessidade e o perfil de cada um deles.

É necessário ressaltar, entretanto, que existem verdades e mitos a serem esclarecidos quando o assunto é construção ou fortalecimento de marcas. Em primeiro lugar, marca não é um nome chamativo, muito menos um logotipo. É a percepção individual do cliente em relação à sua empresa ou ao seu produto. E essa percepção, que chamamos de Imagem de Marca, pode ser positiva ou negativa.

Igualmente importante é entender que a marca pode ajudar a vender mais e gerar maior lucratividade, mas, se mal planejada, também pode criar obstáculos competitivos. Por isso é importante trabalhar a marca com antecedência, para que ela seja forte desde o início, gerando uma percepção positiva para a empresa.

Diversos aspectos compõem uma marca. O nome da empresa ou produto é importante, sem dúvida. Principalmente em varejo e serviços, setores que compram a ousadia como valor. É necessário dedicar um tempo para estudar as palavras, em busca de um nome ao mesmo tempo prático e impactante.

Da mesma forma, é fundamental haver uma estratégia de design arrojado para compor a logomarca e todo material de comunicação, com uma linguagem única de maneira a transmitir, sempre, a mesma imagem. Isso significa que cartões de visita, website, folder e toda a papelaria devem estar em perfeita harmonia, afinados como um conjunto musical.

Mas quem pensa que a construção de uma marca se limita a esses aspectos e que se trata de um processo estanque, ou seja, com começo, meio e fim, pode estar dando um passo em falso. A imagem da marca deve ser trabalhada constantemente, já que um só descuido pode gerar prejuízos à percepção que o cliente tem de uma empresa ou produto.

Assim, torna-se imperioso investir no relacionamento do cliente como forma de se construir ou fortalecer a marca de maneira sustentada. A imagem que a empresa pretende transmitir deve estar presente não apenas na comunicação visual, mas no discurso dos vendedores, no atendimento telefônico ou pessoal, no uniforme, na forma como os funcionários respondem às mais diversas demandas.

O descaso com o cliente pode ser fatal, uma vez que a ausência de credibilidade compromete qualquer marca. Os cuidados, portanto, devem ser tomados desde a contratação do pessoal, passando por treinamentos, capacitação e constante reciclagem profissional.

Como consultores do mercado, podemos dizer, sem medo de errar, que não há nada mais irritante para um cliente do que lentidão, burocracia e atendimento mecanizado sem qualquer jogo de cintura. Essa é, inclusive, uma das principais preocupações das médias e grandes empresas nos dias de hoje.

Partindo-se do princípio que os funcionários da empresa vão lidar com pessoas de temperamentos e visões de mundo distintos, é importante ressalvar que a padronização do atendimento deve ter limites, sendo necessária uma boa dose de informação sobre cada cliente e outra, igualmente importante, de bom senso.

Somente com o alinhamento de todas as formas de contato com o cliente é que será possível construir e fortalecer a marca de maneira sustentada, incrementando-se as vendas e os lucros. Se você, portanto, deseja que sua empresa tenha uma boa imagem, pense sempre no cliente.

Luiz Fernando Lucas é sócio da Meglio Consultoria & Design e diretor titular do Núcleo de Jovens Empreendedores do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).