Na contramão dos consumidores

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Um estudo global realizado pela consultoria de relações públicas Burson-Marsteller revela uma acentuada disparidade entre os verdadeiros interesses dos consumidores e os temas que as grandes corporações consideram prioritários. Enquanto os consumidores tendem a se preocupar mais com assuntos que afetam o dia-a-dia, como alimentação, segurança e saúde, o foco das empresas está concentrado na aplicação de novas tecnologias para os modelos de administração.

Os resultados globais da pesquisa indicam que, embora os líderes de negócios e os consumidores compartilhem alguns interesses em comum, as prioridades do público são os custos com saúde (77%), alimentação (75%), custos com energia (75%) e questões relacionadas à perda de identidade (76%). Já os executivos estão muito mais preocupados com o custo da tecnologia (55%), a disponibilidade de tecnologia que permite o avanço dos concorrentes (53%), a possibilidade de invasão de hackers nos sistemas computadorizados das empresas (53%), e com custo da energia e o impacto que exerce nos lucros (53%).

Na América Latina, os líderes de negócios também priorizam o avanço e as inovações tecnológicas, o que difere totalmente dos interesses dos consumidores. Como ocorre com o público dos outros continentes, as principais preocupações estão voltadas a questões universais como custos com alimentação e cuidados com saúde, entre outros. “O estudo emite um sinal claro de que os povos se preocupam mais com o que afeta sua vida pessoal do que com temas que influenciam a sociedade como um todo”, analisa Mark Penn, presidente e CEO da Burson-Marsteller.

Segundo Ame Wadler, gerente estratégica da Burson-Marsteller, a pesquisa também mostra que existem boas oportunidades para empresas que queiram se diferenciar, dirigindo em suas ações as questões básicas da sociedade como fome no mundo, saúde pública acessível, privacidade de proteção pessoal e segurança, cumprindo, ao mesmo tempo, os objetivos de seus negócios.

A pesquisa, denominada Índice Global de Assuntos da Burson-Marsteller, foi realizada em agosto de 2006 e envolveu quatro mil pessoas – 2.700 consumidores e 1.600 executivos de negócios na América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia. O objetivo do estudo foi comparar os interesses e necessidades do público e de líderes de negócios nos principais continentes.