Não é só ecologia

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Quando o assunto é ação sustentável, as pessoas se lembram, quase instantaneamente, de ecologia. Porém, esse é apenas um dos três pilares da sustentabilidade, como opina Bruno Maletta, diretor da Consumoteca. “Os outros dois são ‘social’ e o ‘econômico’. Ou seja, não resolve nada proteger a natureza se as ações que forem feitas prejudicam as pessoas e/ou acabam sendo inviáveis economicamente. Por exemplo, não adianta uma marca de roupa mencionar que usa tecido orgânico ou com menos corantes e química, se está usando trabalho infantil ou escravo”, exemplifica Maletta. O que as empresas buscam é uma relação ganha-ganha-ganha. “Práticas sustentáveis devem ser boas para a empresa, para o consumidor e para o planeta. Só assim o mercado de consumo irá adotá-las de forma plena”, completa.
A maior parte dos empreendimentos, porém, está mais preocupada apenas com o que vai atrair o consumidor, não com ações efetivas de sustentabilidade. Um dos problemas que levam as instituições a não adotarem completamente essa ação como um mantra é o fato de existirem poucos incentivos. “Os processos de produção ficam mais caros, pois exigem matérias primas específicas, outras máquinas, mais etapas, maior treinamento dos funcionários, etc. Quando este custo é repassado para o preço do produto, começa o problema”, diz Maletta. “O consumidor aceita e quer bem os produtos verdes, mas existe um limite de preço em relação aos produtos ‘comuns’. Por exemplo, podemos comparar o papel sulfite. A versão reciclada é cerca de 35% mais cara. Os produtos sem agrotóxicos são mais caros nos supermercados”, exemplifica Bruno.
Além disso, é possível notar também que a sustentabilidade atingiu os hábitos de consumo do brasileiro. A preocupação com a saúde virou algo corriqueiro entre a população daqui, como afirma Bruno Maletta. “Novos alimentos, novas formas de comer e mudanças no consumo surgiram. Os consumidores vão buscar cada vez mais produtos e serviços que os atendam nessa nova forma de pensar.”