Número de pequenas empresas no Brasil cresce 22%

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Entre 2000 e 2004, o número de micro e pequenas empresas (MPEs) no Brasil aumentou 22,1%. De 4,11 milhões em 2000, passou para 5,02 milhões, quatro anos depois. Dos 924 mil novos estabelecimentos abertos no Brasil neste período, 99% eram micro e pequenas empresas. A maior expansão aconteceu nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o número de MPEs aumentou, respectivamente, 29,1% e 27,2% nos quatro anos estudados. Entretanto, 85% destas novas empresas estão concentradas em 10 Estados – São Paulo (30,7%), Minas Gerais (11.6%), Rio Grande do Sul (10,7%), Paraná (7,9%), Rio de Janeiro (6,7%), Santa Catarina (5,3%), Bahia (4,5%), Goiás (3%), Ceará (2,9%) e Pernambuco (2,4%).

Os dados são da pesquisa “Onde estão as Micro e Pequenas Empresas no Brasil”, divulgada hoje (24/11) pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP). Outro dado importante do mapa do segmento no Brasil é o crescimento de 28,4% do setor de serviços entre as MPEs. Serviços de informática, aluguel de veículos, máquinas e objetos pessoais, venda de material de informática, celulares e acessórios e serviços de entregas, entre outros, registraram um crescimento maior entre 2000 e 2004. O número de MPEs do setor de comércio, 21,5% (56,1% do total) e o número de micro e pequenas indústrias teve uma expansão mais modesta: 12,9% (14,3%).

“A pesquisa mostra claramente que há forte expansão de micro e pequenas empresas tanto em setores tradicionais, tais como de alimentos e vestuário, quanto nos segmentos mais sofisticados da economia, como os segmentos de informática e comunicações. A diferença é que os tradicionais se expandiram mais nas regiões mais pobres, enquanto nas regiões mais ricas a expansão foi puxada pelos segmentos mais sofisticados” avalia o coordenador do Observatório das MPEs, Marco Aurélio Bedê, responsável pela pesquisa.

O diretor-superintendente da entidade, José Luiz Ricca, afirma que os dados apresentados “são fundamentais para que governantes, legisladores, sociedade civil conheçam a realidade das MPEs formulem políticas públicas capazes de garantir a competitividade deste segmento fundamental para a geração de empregos e crescimento da economia.” E completa: “afinal esses um milhão de novas empresas criaram cerca de 3 milhões de novos postos de trabalho.”

As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste e tiveram crescimento no número de MPEs acima da média nacional. “Isso resulta da combinação de vários fatores, tais como o crescimento mais acelerado da população nessas regiões, o aumento real do salário mínimo, a ampliação dos programas sociais e de redistribuição de renda e a expansão da fronteira agrícola”, avalia Marco Aurélio. O Sudeste (com 2,55 milhões de estabelecimentos em 2004) e o Sul (com 1,2 milhões), apesar das taxas de crescimento mais modestas – respectivamente 20,5% e 21,6% -continuam sendo as regiões que concentram o maior número de MPEs:75,7% no total. “Nessas regiões, também houve expansão do número de MPEs, em especial no setor de serviços, como uma resposta à necessidade de modernização da sociedade e à maior sofisticação da demanda”, complementa o economista.

Na ocasião foi lançado também o Observatório das MPEs, unidade do Sebrae-SP que vai monitorar a situação do empreendedorismo e dos pequenos negócios nos níveis regional e nacional. A equipe realizará pesquisas mensais sobre faturamento e nível de emprego nas micro e pequenas empresas paulistas, além de estudos mais profundos sobre a situação das MPEs, como a taxa de mortalidade de empresas, perspectiva de futuro e principais dificuldades. O objetivo é que esse conhecimento sirva de subsídio para a formulação de projetos dentro do Sebrae e para políticas públicas, fora da Instituição. O livro Onde estão as micro e pequenas empresas no Brasil também marca o lançamento oficial do Observatório.