O desafio de transformar conhecimento em ativo das organizações

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Sistemas de informação, CRM, sistemas de gestão, business intelligence. A mola motora da evolução (verdadeira revolução) da tecnologia da informação tem sido o desafio e a dificuldade que as organizações têm de, primeiramente, organizar todo o conhecimento que produz e, depois, transformar isso em diferencial competitivo, transferindo o aprendizado aos seus colaboradores e à cultura da empresa.

Em um primeiro momento, as organizações aprenderam a depurar todo esse conhecimento e investiram pesado na organização, compilação e análise de massas de dados coletados de suas operações. O desafio maior é como transferir esse conhecimento para seus colaboradores. A primeira idéia que se tem é adotar uma tecnologia “taylor made”, que funciona como um canal de distribuição do conhecimento. Uma solução simples de e-learning, que certamente reduz a distância entre os batalhões de vendedores de um grande laboratório farmacêutico distribuídos nacionalmente e o conhecimento de que necessitam para posicionar um novo medicamento nas prateleiras, por exemplo. Mas, não conseguiam auxiliar ainda a gestão do processo de aprendizado como um todo.

Essa carência tem sido suprida através dos LMS (learning management system) que vêm se transformando num notável parceiro das áreas de recursos humanos para dinamizar a educação nas organizações e acompanhar o desenvolvimento dos profissionais da empresa. Essas soluções têm ajudado grandes empresas a aumentar sua capacidade de agregar novas habilidades aos seus colaboradores, ampliando a velocidade para posicionamento no mercado de novos produtos, reduzindo o custo para o treinamento das força de vendas. Esse tipo de abordagem facilita a identificação das necessidades de capacitação dos colaboradores, prestadores de serviços e até clientes; acompanhando o progresso individual; e funciona na administração de carreiras, ajudando a definir o processo de desenvolvimento profissional para cada colaborador.

A educação corporativa via redes internas ou externas movimenta mundialmente em torno de US$ 30 bilhões ao ano. No Brasil, há estimativas de que, em 2001, o setor tenha gerado investimentos de US$ 21 milhões e possa alcançar US$ 53 milhões em 2002. O sistema permite que os controles tenham mais qualidade, eficácia e rapidez. É possível extrair relatórios com todas as informações do e-learning, como quem está fazendo os cursos, em quanto tempo e até o desempenho de cada colaborador, antes e após cada estágio do desenvolvimento profissional.

Algumas organizações estão criando, a partir de um LMS, comunidades internas para administrar o conhecimento empresarial. As áreas de marketing e vendas podem fazer, por exemplo, um chat para trocar conhecimento com a produção. O ganho de escala é significativo. A ferramenta permite que se ofereça vários treinamentos ao mesmo tempo e ainda gerenciar a capacidade da rede, controlando a participação dos colaboradores. A exemplo disso, uma operadora de telecomunicações, ao implantar alguns módulos de seu sistema de gestão empresarial, deparou-se com o dilema de treinar mais de 2 mil colaboradores nos novos processos. Em apenas dois meses, todos eles estavam habilitados e certamente com um custo sensivelmente menor.

Washington Fray é diretor geral da SI Brasil
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