O desafio do IT business

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Ivan Fonseca
Muito se tem falado a respeito de alinhar as estratégias da tecnologia da informação (TI) às estratégias de negócios das organizações. Mas, o que isso significa de fato e como pôr em prática são questões ainda não muito bem respondidas. Essencialmente, o alinhamento das estratégias significa aderência dos investimentos e gastos em TI face ao valor que eles agregam aos negócios de uma organização.
A partir dessa perspectiva, o sucesso das atividades de TI passa a ser avaliado pela contribuição que os gastos e investimento realizados oferecem à organização. Obter o alinhamento significa desenvolver habilidade para desenvolver estudos de viabilidade e práticas de gerenciamento de custos, o que, a princípio, parece ser uma tarefa simples mas que na prática tem sido uma atividade que envolve extremo desafio.
A avaliação
Avaliar a eficiência das operações de TI depende de um modelo que considera a arquitetura tecnológica, os elementos que compõem os custos dos processos de produção, armazenamento, comunicação e recuperação de informações. Além disso, o gerenciamento de custos é um processo gradual que pode variar de um simples modelo de rateio até um completo modelo de custo por atividade, base para a implantação dos contratos dos níveis de serviço (SLA – Service Level Agreement).
Embora algumas empresas adotem o processo de apuração e controle de custos, elas nem sempre conseguem avaliar o quanto suas estratégias estão alinhadas. Isso se deve, em muitos dos casos, pelo fato de o controle de custos basear-se num modelo não técnico e, conseqüentemente, ser executado informalmente, fato que traz frustrações e comprometem o sucesso da iniciativa.
A boa prática gerencial mostra que é necessária uma metodologia que forneça ao CIO – Chief Information Officer uma visão bem definida sobre o valor que a atividade de TI agrega aos negócios e o quanto ela ajuda uma área ou a organização como um todo no cumprimento da sua missão.
O problema
O conceito de alinhar TI aos negócios não é novo. Pesquisas de quase todas as organizações especializadas indicam que os CIOs atribuem alta prioridade à necessidade de alinhamento. Entretanto, um percentual significativo de empresas tem falhado na sua implementação. Relatório sobre uma pesquisa realizada entre gestores de TI pelo “Computer Economics” indica que o alinhamento das estratégias ainda é um problema a ser resolvido.
Aqui cabe uma pergunta: Se a necessidade de alinhamento das estratégias é uma prioridade e tem chamado a atenção dos administradores, por que as organizações ainda estão brigando com este problema? Na minha opinião existem vários fatores que podem levar ao fracasso ou ao sucesso limitado da iniciativa de manter processos de alinhamento das estratégias. A condução do alinhamento pode variar entre organizações de diferentes setores da economia ou de tamanhos diferentes e exigir ações diferenciadas em função do modelo de negócios, das técnicas de gestão e dos conflitos de interesses, culturais e regionais, apenas para citar alguns.
Portanto, fazer um bom trabalho de alinhamento estratégico significa considerar o plano de negócios nas decisões sobre a adoção de uma arquitetura tecnológica, na definição de ambientes operacionais e no plano de desenvolvimento ou aquisição de softwares e sistemas, além é claro, dos aspectos sociais e culturais existentes na organização.
Tradicionalmente, a ênfase dada aos processos de alinhamento estratégico reside no plano estratégico de sistemas e na forma como a área de TI é organizada. Este enfoque tende a perpetuar o conceito de que a área de TI divide-se em duas atividades com diferentes níveis de influência sobre a condução dos negócios: a de desenvolvimento de sistemas, considerada uma atividade crítica frente ao plano de negócios, e a de processamento e comunicação de dados, geralmente vista como mera atividade fornecedora de serviços utilitários com pouca ou nenhuma influência nas estratégias corporativas.
É claro e indiscutível que atender as necessidades de desenvolvimento dos usuários é fundamental para a área de TI, mas isto é apenas parte da questão. Mesmo que o plano de desenvolvimento de sistemas esteja perfeitamente alinhado com a prioridade de cada linha de negócios, também é crítico considerar o impacto que as operações de TI causam quando solicitadas a dar suporte aos objetivos corporativos.
A solução
Considero imperativo desenvolver uma metodologia formal de alinhamento das estratégias de negócios e TI que contemple integralmente os serviços fornecidos pelas atividades operacionais. Para atender a este requisito se faz necessária a identificação dos objetivos e estratégias de negócios ou o desenvolvimento de um plano de negócios corporativo que torne explícito, claro e indubitável quais são os objetivos corporativos, sua estratificação entre as diversas áreas da organização e quais as orientações estratégicas a serem seguidas.
Após obter o plano de negócios é que a área de TI deve iniciar o processo de alinhamento das estratégias para as atividades de desenvolvimento e operação dos sistemas.
Ao grupo de desenvolvimento de sistemas cabe conduzir suas estratégias de forma a garantir que seus esforços sejam aderentes às necessidades críticas da organização, sem esquecer de identificar e atender as oportunidades de melhoria dos processos. Ao grupo operacional compete traduzir as necessidades de negócios em objetivos operacionais de TI. Estes objetivos serão a base para projetar e operacionalizar uma infra-estrutura que realmente dê suporte às necessidades presentes e futuras da organização.
O alinhamento estratégico oferece uma base para a formalização dos acordos sobre os níveis de serviços e fornece uma visão ampla sobre o gerenciamento da tecnologia. É unânime a opinião de que tais conceitos são de fácil compreensão mas podem ser de difícil implementação. Iniciativas dessa natureza devem ser apoiadas pela alta administração e requerer um considerável empenho de tempo e esforços por parte da área de TI e da participação efetiva de cada linha de negócios da organização.
Ivan Fonseca é professor, palestrante e consultor. (www.ivanfonseca.com.br)