O futuro (ainda) vem da Apple?

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A partir deste mês, nos Estados Unidos, começa a funcionar o novo serviço de pagamento móvel da Apple, o Apple Pay, que vem com a promessa de revolucionar o mercado, no que diz respeito às formas de pagamento. Isso porque os clientes cadastrarão seus cartões de crédito e débito no iTunes e, via a tecnologia NFC, concluirão a compra com apenas um toque no iPhone 6 ou 6 Plus, por meio do sistema de biometria do aparelho, ou o Touch ID. Ou seja, não será mais preciso fazer uso dos cartões físicos ou da carteira no momento da compra. “O Apple Pay tem um potencial bastante grande de mudar as regras de mercado, de realmente inovar um setor que precisa urgentemente de inovação”, aponta Jean Christian Mies, vice-presidente sênior da Adyen para América Latina.
Talvez não haja momento mais propício para o lançamento do Apple Pay do que esse. Não é de hoje que as pessoas vêm crescendo a sua dependência para os dispositivos móveis, cada vez mais elas realizam as atividades e vivem por meio dos smartphones e tablets. Assim, com a chegada de um meio de pagamento móvel apenas entrará em união com o que os clientes já procuram: comodidade e agilidade. Sem contar que com o Apple Pay, os usuários e lojas terão uma opção mais segura. “Com esse produto, a Apple transformou pagamentos móveis de uma forma que vai atrair muito mais os clientes, pois combina hardware e software, mantendo as informações de pagamento protegidas. A grande mudança para o cliente final é a experiência de compra, que passa a ser muito mais fácil, mas permanece tão segura quanto uma transação tradicional com o cartão”, explica Graça Cordeiro, diretora de produtos da First Data.
Para nós brasileiros, o assunto pode ser que faça sentido, mas nem tanto, pois já realizamos compras com cartões que possuem chip e senha, provando ser uma opção segura. Mas, por exemplo, no mercado norte-americano, os cartões são ainda de tarja magnética e o cliente não precisa de senha ou assinatura para efetivar as compras, o que faz crescer o risco de fraudes. “Ele vai criar todo um novo processo e padrão para as transações nos pontos de venda e no e-commerce. A nova implementação é claramente focada em prover um nível bem mais alto de conveniência para o usuário”, declara Phil Scarfo, vice-presidente comercial e de marketing da Lumidigm, empresa do grupo HID Global.
Por mais que já não possua os mesmo fãs de antes e tenha crescido a procura de clientes por empresas concorrentes, a Apple ainda tem poder no mercado e continua criando novas formas de comportamento e produtos, como fez com os iPads e iTunes, o que não será diferente com a inovação do pagamento. Quanto mais clientes desejarem fazer uso desse serviço, mais empresas procurarão por terminais NFC para conseguir atender à demanda. “As instituições financeiras, em geral, terão que repensar sua posição em relação ao pagamento móvel e, ao invés de lançarem soluções individuais, como no passado, deverão cooperar para criar abordagens padronizadas para esse tipo dos sistemas de pagamentos. As entidades envolvidas no processo serão submetidas a uma grande pressão para suportar e expandir esta forma de pagamento”, aponta Marco Santos, country managing director da GFT Brasil. “É bem possível que a influência da Apple e sua presença massiva no mundo inteiro criem toda uma nova expectativa em relação a como são realizadas as transações e compras digitais. É fácil visualizar como esse novo serviço vai definir as transações de e-commerce no futuro, na medida em que a tecnologia NFC se tornar mais propagada”, completa Scarfo.
Da mesma forma que, percebendo a procura dos consumidores, as empresas concorrentes também procurarão oferecer a mesma tecnologia para não perder mercado e nem clientes. “A chegada do Apple Pay impacta o mercado de uma maneira que nenhum outro player de pagamentos móveis conseguiu até o momento. Ao mesmo tempo em que ele elimina a insegurança dos clientes por meio do processo de tokenização e dá maior praticidade, a solução necessariamente cria um paradigma no mercado, obrigando outros players a desenvolverem um ecossistema tão ou mais completo que dele”, ressalta Graça.
Entretanto, não seria ainda cedo dizer sobre o sucesso do Apple Pay no mundo? Sim! Segundo Mies, é preciso levar em consideração que, apesar de parecer uma proposta irrecusável, há um fator nessa inovação que pode determinar a sua adesão em massa ou não: a tecnologia. Aquele que quiser fazer uso do pagamento móvel terá que, em primeiro lugar, ter o aparelho compatível com o serviço, bem como encontrar uma loja que possua o terminal NFC, que ainda tem uma adesão baixa no mundo. “Apenas algumas partes do mundo possuem esse terminal. Nos EUA mesmo, que diz que existem cerca de 220 mil terminais de NFC em um montante de mais de oito milhões de terminais de pagamento”, conta o executivo. “Ainda existe uma disparidade entre a demanda real e a oferta dos produtos.”
Mas, se existe, então, uma chance de o serviço demorar a funcionar, por que algumas empresas já estão aderindo a ele? A questão é oportunidade. Ao escolher oferecer o Apple Pay como forma de pagamento, as organizações estarão migrando para um processo mais seguro e cômodo. Além disso, também estarão passando a mensagem de que são empresas preocupadas com o consumidor, interessadas em inovação e oferecerão uma experiência positiva ao seu público. “Acredito que as empresas que adotam essa solução estão criando uma relação muito forte com o cliente. Eles estão facilitando os processos de compra para os seus próprios clientes sem abdicar a segurança. Com isso, conseguem aumentar a experiência de compra e melhorar a lealdade dos compradores. Sem dúvida, é uma ferramenta de gestão de cliente muito forte”, afirma Mies. Ele ainda defende: é preciso que as empresas pensem no Apple Pay, senão agora, para o futuro.
O Groupon, por exemplo, foi uma das empresas que já consideraram o sucesso da tecnologia. “A integração com o Apple Pay torna o processo de compra mais fácil para os nossos clientes, que podem concluir a transação com apenas um toque”, afirma Tomás Penido, diretor de marketing e comunicação do Groupon Brasil. De acordo com ele, a empresa já registra 92 milhões de downloads de seus aplicativo ao redor do mundo e mais da metade das transações já ocorrem por meio dos dispositivos móveis. Ou seja, o novo serviço da Apple virá como mais uma opção aos clientes da loja. “Acreditamos que tudo o que é bom para nossos clientes, é bom para o Groupon”, completa. “Esperamos que ele torne ainda mais rápida e prática a conclusão de uma transação feita por meio de dispositivos móveis, tornando o processo de compra e venda mais simples e agradável, sem atritos.”


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