O mundo dos investimentos descomplicado

CFO da Warren descreve como conquistar investidores com tecnologia e transparência

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Leandro Piano, CFO da Warren
Leandro Piano, CFO da Warren

Partindo de uma realidade contraditória na qual, ao mesmo tempo em que uma economia com juros reais negativos ainda mantém trilhões de reais investidos em meios tradicionais sem uma rentabilidade compensadora, a corretora Warren chegou a uma conclusão: o problema está na complexidade das opções diante das pessoas que desejam turbinar seu patrimônio. Criando uma plataforma tecnológica na qual os objetivos dos investimentos devem se casar com as melhores alternativas de remuneração e apresentar soluções automatizadas, a startup surgiu com um modelo que passa acima de tudo pela transparência nas relações. Propondo apresentar as vantagens desse quadro, o CFO da Warren, Leandro Piano, compartilhou os detalhes, hoje (17), na 287ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br.

Criada há quatro anos, a partir de uma análise in loco do mercado norte-americano de investimentos, mas também comparando o europeu e o brasileiro, realizada pelo fundador da organização, Tuto Gusmão, a Warren nasceu sob a constatação de um retrato assim resumido desse segmento: conflituoso e complicado. Assim, a principal missão da empresa é decodificar para o consumidor o verdadeiro “cardápio chinês” em que se constitui o menu de aplicações financeiras, notadamente no país, de acordo com Piano. “Como é muito complexa a questão de rentabilidade do dinheiro, as pessoas e famílias acabam delegando esse movimento a terceiros especializados. E, como a maioria das corretoras trabalha com produtos financeiros de forma comissionada sobre o rendimento da aplicação, esses terceiros tendem, na maioria das vezes, a buscar investimentos que melhor remunerem a si próprias.”

Nesse sentido, apesar de não ser um modelo novo e já bastante disseminado nos países desenvolvidos, segundo o CFO, a Warren trabalha com um sistema diferenciado sobre as comissões obtidas nos investimentos. E, para ser remunerada de fato, cobra uma taxa fixa dos clientes baseada de 0,55% a 0,7% do patrimônio financeiro do cliente. “Ou seja, como a nossa remuneração não está atrelada à alocação de recursos sugerida, nos possibilita colocar o cliente no centro do negócio e eliminando os eventuais conflitos de interesse. O foco estará sempre no que é efetivamente melhor para o consumidor dos nossos serviços.” Entretanto, diferentemente dos concorrentes que aplicam esse modelo, explicou ele, qualquer pessoa tem acesso a esse tipo de serviço. Porque, entregando tudo de maneira digital em investimentos a partir de R$ 100,00, na startup não é feita uma exigência de um elevado patrimônio como ponto de partida. Voltando ao comparativo com o “cardápio chinês”, ele relatou que o problema para os clientes é se depararem, em bancos e corretoras no geral, com longas listas de opções de investimentos recheada de números e possibilidades. Sendo a grande meta da empresa eliminar essa complexidade.

Traçando um cenário do que ocorre na Europa, por exemplo, na maioria dos países o modelo comissionado de aplicações já foi banido pela entidade reguladora do mercado. Enquanto, nos Estados Unidos, apenas 20% das aplicações ainda são feitas naquele modelo de remuneração das operadoras. “Com a queda de juros que se registra agora também no Brasil de forma acentuada, os sistemas tradicionais de aplicação das reservas das pessoas vão dando lugar à busca de melhores investimentos. E, sabendo da relação conflituosa que sempre existiu quanto a rendimentos e remunerações, o investidor busca cada vez mais transparência e alinhamento com seus interesses.” Nessa direção, o executivo expôs que o grande desafio é acordar as pessoas para esse novo cenário, em um ambiente em que as próprias corretoras em geral só são conhecidas de 20 anos para cá. Inclusive, a população se acostumou a confiar no que era feito com o dinheiro por meio dos bancos tradicionais. Ou seja, trata-se de um mercado a ser desbravado, conquistando credibilidade com um modelo superior de investimento, mas ainda desconhecido.

A esse desafio, nas explicações do CFO, se soma o fato de o custo cobrado pela corretora estar às claras, por ser uma taxa fixa, e não embutida nos sistema de remuneração comissionada. Para compensar isso e conquistar a confiança do investidor, a Warren apresenta um relacionamento que efetivamente descomplica o mundo de opções que se apresentam hoje. De acordo com o executivo, seja pelo app ou via website, a pessoa deverá demonstrar seus objetivos em relação aos investimentos. “É a partir dessas metas que, automaticamente, a plataforma indicará qual a melhor alocação de recursos e o mix de produtos. Tudo a partir de dados já analisados previamente por times de gestão em consonância com o perfil de cada investidor combinado com seus próprios objetivos.”

Antes de retomar os detalhes de como é construída essa experiência diferenciada aos clientes no mercado de investimentos, Piano ressaltou alguns aspectos do potencial desse novo universo. Segundo ele, se forem somados os esforços de todas as corretoras do país, elas detém não mais do que 10% dos montantes investidos. São ainda não mais que 3,5 milhões de pessoas com investimentos na Bolsa de Valores e por volta de R$ 1 trilhão ainda depositados na poupança. Sem que se note que os juros reais estão negativos. E, voltando à questão da jornada para o investidor oferecida na plataforma, indagado sobre o papel dos algoritmos aplicados sobre os perfis, ele fez questão de esclarecer que não são estes que indicam os produtos. O trabalho é feito todo pelos times de alocação que combinam o resultado de seus estudos e análises e possibilitam que, automaticamente, esses dados se casem com o perfil atribuído, esse sim, pelos algoritmos do sistema. 

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 286 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A série de entrevistas prosseguirá amanhã (18), com o “Sextou”, que  debaterá como aliar marketing e CX para transformar clientes em fãs, com a participação de Paula Guz, head de operação da Draftline (Ambev) e Ana Carolina Ribeiro de Abreu, gerente de relacionamento com o consumidor da Salon Line.