O novo cliente do fretado

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Que a tecnologia surgiu para facilitar a vida de todos não é novidade. Mas a sua presença em alguns setores ainda surpreende muitos clientes. É pensando nessa praticidade, e em um melhor atendimento ao cliente, que muitas empresas têm buscado investir em novas soluções. Caso contrário, o risco é grande. “A principal perda da empresa que não está ´antenada´ nas mudanças do futuro, no que o consumidor quer, é o insucesso”, comenta Regina Rocha, diretora executiva da Fresp, Federação das Empresas de Transporte e Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, que, dentro disso, vem dando orientações às empresas do setor. Até porque, a modernidade também trouxe uma mudança no perfil do consumidor desse serviço. “A oferta de ônibus fretados nessas condições possibilita a migração de usuários do modo individual motorizado para o coletivo, otimizando o uso do sistema viário”, comenta Maria Aparecida Toledo, diretora da Toledo & Associados.
 
Ciente disso, a Fresp está construindo uma plataforma junto às empresas de tecnologia. “Elas já descobriram o potencial, a necessidade do serviço de fretamento e já estão buscando novas ferramentas que atendam o cliente passageiro que está dentro do ônibus, que nem sempre é quem paga a conta, e o cliente empresa que nos contrata para levar seus funcionários”, ilustra Regina. E entender a diferença entre os consumidores é muito importante, pois muitas vezes ambos necessitam das mesmas informações para fins diferentes. Enquanto o passageiro consegue saber se ainda dá tempo de pegar este transporte ou precisa esperar o próximo, a empresa consegue manter um controle do cumprimento do itinerário realizado, por exemplo.
Já as empresas que oferecem serviço voltado ao turismo, o uso das novas plataformas tecnológicas podem ajudar a fomentar o mercado. “Nosso desejo é que quando uma pessoa entre em um ônibus, ela tenha as informações sobre itinerários, pontos turísticos e atividades culturais na região por onde o veículo passa, entre tantas outras referências que nós queremos dar para o nosso passageiro”, explica Rocha. “Com isso, acreditamos que o mercado turístico será aquecido, pois incentivará as pessoas a conhecerem novos destinos e aproveitar as atividades culturais local.”
Essa necessidade por aplicativos e softwares para esses prestadores de serviço nasce da competitividade existente no segmento, onde o principal termômetro é o consumidor. Isso ocorre decido ao fato das empresas serem privadas e não possuírem a gestão de um órgão governamental. Logo, se o cliente não gosta, ele troca, diferente do transporte público. “Se existirem empresas que decidem ficar sozinhas em suas garagens, pensando dentro da caixa – ou como nós falamos, pensando dentro da garagem deles só cuidando da frota -, sem observar o mercado e o que querem os consumidores, assim como não olhar para a cidade em que estão e como ela está se desenvolvendo, então eles correm o risco de acabar sem clientes”, observa Regina Rocha.
Maria aparecida ainda indica que as empresas de transporte também podem atrair seus consumidores desde o ponto até o interior do transporte através de abrigos valorizados, aplicativos que informem o itinerário, um posicionamento institucional pela sustentabilidade, conectividade (wi-fi), TV, som, jornais, revistas, programação de lazer, entre outros. Isso faz com que o valor do fretado valha a pena aos olhos de quem irá contratar o serviço. “Uma marca, um serviço precisa cumprir o que promete, caso contrário este consumidor migra rapidamente. Hoje ele está cada vez menos fiel – 68% dos consumidores brasileiros não são fiéis às marcas”, conclui.

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