O sucesso é proporcional ao risco

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Autor: Orlando Pavani Junior

 

Minha atuação de mais de 24 anos no mercado de consultoria, bem como a preocupação contínua em agregar novos conhecimentos e identificar as demandas do setor, chamaram a atenção para um ponto extremamente necessário às organizações: Gestão dos Riscos Organizacionais. Ela está relacionada à “escolha”, pois decorre da incerteza inerente ao conjunto de possíveis consequências (ganhos e perdas) que resultam de decisões tomadas diariamente pela organização. Gerir riscos contempla identificar, analisar, avaliar e tratar uma lista de eventos que podem trazer conseqüências positivas e negativas ao negócio.

 

Atualmente, a gestão dos riscos é muito mais um conceito e uma metodologia para seu mapeamento nas organizações em geral do que uma profissão em si, embora existam cada vez mais profissionais se especializando no assunto. O que vejo comumente no mercado é uma visão reservada somente as instituições financeiras, quando sua relevância deve ser dada por empresas de quaisquer portes e segmentos. A gestão dos riscos configura uma exigência das melhores práticas de Governança Corporativa, aplicada com o objetivo de reconhecer e tratar 100% dos riscos dos negócios e, conseqüentemente, trazer transparência nas decisões das companhias.

 

Desconhecer os riscos faz com que nos tornemos vítimas dos mesmos. A sua gestão faz com que sejamos protagonistas deles e, a partir de sua identificação, análise e avaliação, é possível tratá-los em prol da saúde das organizações em geral.

 

É importante destacar que o cálculo dos riscos é possível de ser realizado por meio de uma série de pontuações que destacam uma espécie de “grid” dos diversos riscos aos quais uma empresa está submissa. A gestão dos riscos pode ser resumida em quantificar 100% dos eventos (positivos e/ou negativos) de uma organização. Em apenas um artigo, ficaria restrito falar sobre como funciona o processo de cálculo dos riscos, justamente por envolver uma série de técnicas, reservadas a consultorias especializadas. Mas, podemos citar as etapas que a norma AS/NZS 4360:2004 prescreve: 1-) Comunicação e consulta; 2-) Estabelecimento de contexto; 3-) Identificação de riscos; 4-) Análise de riscos; 5-) Avaliação de Riscos; 6-) Tratamento de riscos e 7-) Monitoramento e Análise Crítica.

 

Para chegar ao resultado final, é preciso que haja uma varredura minuciosa de todos os processos organizacionais, aplicação de matemática e estatística e também o uso de metodologia particular para que não nos esqueçamos de nenhum aspecto relevante. Se o processo de levantamento e quantificação obedecer a uma metodologia estruturada, o “tiro é no alvo” e 100% dos cálculos são seguros.

 

Porém, antes de tudo, é fundamental trabalhar no mapeamento de todos os processos organizacionais, pois sem esse levantamento estar completo, a identificação dos riscos será deficitária. Jamais se deve iniciar um projeto de gestão dos riscos sem antes ter concluído a etapa anterior de mapeamento e gestão por processos. A sinergia entre as partes – consultoria e empresa – também é um ponto importante. O profissional que lida com a gestão dos riscos junto à consultoria deve ser detalhista, conhecer os processos organizacionais da empresa onde o projeto esteja sendo desenvolvido, além de conhecimentos básicos de estatística, matemática, econometria e finanças.

 

Como em todo processo de gestão, as normas são fundamentais para evolução do trabalho. No caso da gestão de riscos, não é diferente. Em realidade, as Normas AS/NZS 4360:2004 e ISO 31000 (ainda não disponível, pois está em fase final de votação) são as primeiras iniciativas normativas para padronizar a gestão dos riscos. A norma AS/NZS 4360:2004 configura um modelo que contempla templates e práticas aplicáveis a gerenciar riscos no contexto de um processo, de uma organização ou até mesmo no projeto de vida de uma pessoa, tratando os riscos por uma visão generalista e aplicável em qualquer segmento de atuação. A norma ISO 31000 (ainda em sua versão draft – DIS) será a referência mundial para a prática de gestão de riscos apresentando 11 princípios de gestão de riscos, modelos de orientação para desenvolver e controlar um framework de riscos e um processo genérico de gestão de riscos.

 

Em suma, a realidade atual com a qual nos deparamos constantemente exige cada vez mais uma preocupação relevante com nossas organizações. O mercado competitivo, o número de profissionais que fazem parte de uma organização, os erros frequentes, a quantidade de informações processadas diariamente, entre outros aspectos que fazem parte do cotidiano exige a busca pela assertividade. O risco é proporcional ao sucesso. Há pessoas e organizações com determinado apetite por riscos ou com alguma aversão a eles. O excesso de apetite pode ser considerado um “vício” ou uma “gula” que se configura bastante prejudicial, no entanto a ausência total deste é também caracterização de um certo “comodismo”. Em contrapartida, a aversão total a ambientes de risco é o comportamento mais prejudicial possível ao empreendedorismo. Quanto maior a exposição ao risco maior a recompensa potencial!

 

Orlando Pavani Junior é CEO da Gauss Consulting. ([email protected])

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