O varejo frente à crise

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O cenário das 300 maiores varejistas brasileiras mostra um crescimento acima da média do varejo como um todo. É o que revela estudo realizado pela SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), com o apoio técnico das empresas BTR, Varese e o Centro de Estudo e Pesquisa do Varejo (CEPEV – USP). “O varejo entendeu que era preciso otimizar seus recursos para lidar com um cenário fortemente recessivo. As empresas mudaram seus processos e estruturas de negócios para fazer mais com menos”, afirma Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e idealizador do Ranking.
“Esse processo minucioso de analisar cada ponto de venda e buscar continuamente a eficiência e a melhoria dos processos está criando empresas mais fortes e ainda mais resilientes. Um grande valor para o futuro”, completa. A terceira edição anual consecutiva da análise e ranking “300 Maiores Empresas do Varejo Brasileiro” é fruto de uma coleta de dados, com análises profundas sobre o comportamento das redes de varejo do Brasil durante 2015 e 2016.
Em relação às vendas, 82% das empresas tiveram aumento nominal, contra 15,2% que apresentaram queda em 2016. “O varejo brasileiro não parou, apesar da forte crise que provocou queda de consumo e perda de confiança. Os dados tornam-se ainda mais representativos com a análise dos 50 maiores grupos empresariais, que representam 27% do varejo no Brasil: eles alcançaram crescimento de vendas de 9,5%, expansão de base de lojas de 7,8% e aumento de quadro de funcionários de 1,7%”, declara Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail e vice-presidente e conselheiro da SBVC.
No estudo, foram mapeadas empresas nacionais de todos os segmentos de varejo com faturamento acima de R$ 216 milhões/ano e 107 gigantes com faturamento anual acima de R$ 1 bilhão. A soma do faturamento das 300 maiores empresas em 2016 foi de R$ 562,136 bilhões, o que representa 40% do total do varejo nacional de bens e consumo (exceto automóveis e combustíveis), de acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Considerando as 236 empresas que divulgaram seus faturamentos brutos em 2015 e 2016, o crescimento anual foi de 8,6%, quase o dobro dos 4,5% do varejo como um todo (PMC-IBGE).
A coleta de dados é feita com base em balanços divulgados, dados declaratórios, dados de entidades setoriais e estimativas. De acordo com o estudo, a SBVC concluiu que o varejo brasileiro é formado por empresas de médio porte: 191 das 300 empresas faturam entre R$ 216 milhões e R$ 1 bilhão. Das 300, 133 varejistas, embora com redes estruturadas, ainda estão presentes em apenas um Estado. 171 estão presentes em até três Estados e somente 85 em mais de 10, o que revela um mercado ainda regionalizado. Da amostra, 33 tem de capital aberto; 65 possuem conselho de administração; 41 são redes de franquias, 251 contam com mais de 10 lojas e 12 empresas possuem mais de mil pontos de venda. O setor mais representativo (144 marcas) no ranking dos 300 maiores do Brasil é o composto por supermercadistas e seus variados formatos: supermercado, hipermercado, atacarejo e lojas de conveniência.

OS MAIORES
O “top 5” do varejo brasileiro responde por 28,06% do faturamento da amostra, índice ligeiramente superior aos 27,3% registrados na edição anterior do estudo. Entre as 10 maiores empresas do varejo brasileiro estão os quatro maiores supermercadistas, duas varejistas de eletromóveis, duas do ramo de drogarias e perfumarias e duas de departamentos (sendo uma delas exclusivamente online).
O “Top 10” em faturamento por loja foi liderado pelos supermercadistas Andorinha (SP), Bergamini (SP) e Macro Atacadão Treichel (RS), que alcançaram excelência na oferta de produtos e serviços para os micromercados onde atuam. Este ano, o GPA se manteve em 1° lugar no ranking dos grandes grupos, apresentando um faturamento de R$ 67,26 bilhões, o equivalente a 11,97% do faturamento das 300 analisadas. O Carrefour Brasil está no topo da lista como a maior empresa de varejo do País (marca individual) com faturamento de R$ 49,103 bilhões, 349 lojas e mais 80 mil funcionários. Já o Supermercado Alvorada (MG) aumentou seu faturamento bruto em 74,63%, o que o colocou na liderança na lista das 10 empresas que mais cresceram no último ano.

E-COMMERCE
O estudo desse ano mostra que há um elevado número de empresas que ainda não possuem operação de e-commerce. “Os consumidores estão se movimentando mais rápido do que o varejo. Quase 80% da população economicamente ativa já compra online no Brasil”, afirma Serrentino. “O varejo ainda está engatinhando no processo da transformação digital.”
Das 300 maiores somente 119 (40%) vendem online. Apenas 18 das 144 maiores redes de supermercados (12%) e 4 das 12 maiores de food service (25%) possuem operação de e-commerce. Mesmo nos segmentos de varejo não alimentar, que apresentam maior índice de presença digital, apenas 97 das 140 empresas (69%) praticam o comércio eletrônico. Por outro lado, o e-commerce mostra-se uma operação eficiente, liderando, ao lado das franquias, o ranking de vendas por funcionários, com 7 dos 10 primeiros colocados.